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Juro menor do BNDES para o PIL mina confiança de investidor, diz consultor

17:30 | 08/03/2016
A redução do custo de capital para os projetos da segunda fase do Programa de Investimentos e Logística (PIL), após o anúncio, na noite de segunda-feira, 7, da redução no custo do crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para infraestrutura, pode ser positiva no curto prazo, mas pode também minar a confiança dos investidores, avalia Cláudio Frischtak, da consultoria Inter.B. Nesse caso, o efeito da redução das taxas pode ser mais negativo do que positivo.

Para Frischtak, a sinalização de aumento da participação do BNDES como fonte de financiamento à infraestrutura pode passar ao setor privado a percepção de uma "regressão" à política econômica do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, marcado por subsídios e incentivos.

"De um lado, reduz-se o custo de capital e, de outro, reduz-se a confiança. De 2012 a 2014, a confiança (em baixa) foi mais importante do que subsídios e incentivos dessa natureza. Não foi por falta de subsídios e incentivos que a economia não cresceu", afirmou Frischtak.

Segundo o consultor, a ameaça de "regressão" para o modelo da primeira fase do PIL, com forte participação do BNDES, pode minar a confiança do empresariado mesmo com o governo argumentando que as medidas anunciadas segunda-feira não representam custo fiscal. Como houve forte queda na demanda por empréstimos do banco de fomento, é possível emprestar mais sem novos aportes agora. "Se o BNDES tem dinheiro em excesso, ele não deveria devolver ao Tesouro?", questiona Frischtak.

Além disso, segundo o consultor, a elevação do custo de capital, seja por causa das novas condições de financiamento adotadas pelo BNDES na virada de 2014 para 2015, seja por causa do aperto da política monetária que levou a Selic a 14,25%, é apenas um dos obstáculos aos investimentos em infraestrutura no Brasil.

O problema, na visão de Frischtak, é que os outros obstáculos pesam mais e, por isso, o PIL tende a seguir travado. São eles a elevação da percepção de risco macroeconômico, sinalizado pela perda do grau de investimento junto às agências de risco; o risco regulatório, elevado pelo enfraquecimento das agências reguladoras e pelas constantes mudanças nas regras; e o risco político, associado à crise atual.

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