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Governo chinês cria esforços para ajudar bancos a lidarem com empréstimos podres

11:20 | 14/03/2016
Reguladores chineses estão aumentando os esforços para ajudar os bancos locais a se livrarem de empréstimos inadimplentes e poderem, assim, emprestar mais para a economia. As medidas, no entanto, podem ter o efeito contrário caso sirvam para manter operantes as empresas estatais "zumbis" do país, que respondem por boa parcela do crédito problemático.

Um dos elementos principais do plano anunciado pelo Banco do Povo da China (PBoC) no final de semana é o de permitir que bancos vendam esses empréstimos a investidores os empacotando em ativos ou os transferindo para companhias especializadas em gerenciar crédito podre.

Executivos dos quatro maiores bancos estatais do país dizem que os reguladores também estão considerando permitir que bancos troquem esses empréstimos inadimplentes por ações de determinadas empresas consideradas "grandes demais para falir" - uma medida controversa que pode deixar essas instituições com ativos que, na prática, valem algo próximo de nada. Isso, efetivamente, reduziria a liquidez dos bancos, argumentam os dirigentes.

Recentemente, o Bank of China, um dos maiores do país, concordou em se tornar o maior acionista de uma indústria naval listada em bolsa. Os detalhes do negócio ainda não foram revelados.

As medidas dos reguladores chegam em um momento em que os bancos chineses registram uma forte alta dos empréstimos inadimplentes e um tombo da lucratividade, ambos consequência de um longo período de aceleração da criação de crédito. Para fazer seus registros parecerem mais saudáveis, muitos estão emprestando a empresas para que elas possam pagar dívidas mais antigas.

Shang Fulin, presidente da Comissão Regulatória Chinesa, indicou no final de semana que os formuladores de política enxergam a prática como um problema, uma vez que os fundos não são utilizados para investir e criar demanda nova.

"Esperamos que, através da securitização e da transferência de ativos inadimplentes, possamos elevar a rotatividade dos empréstimos bancários, aumentando assim a sua capacidade de dar apoio à economia", disse.

Em dezembro, o total de empréstimos problemáticos no sistema bancário local atingiu 1,27 trilhão de ienes (US$ 195,5 bilhões), o nível mais alto desde meados de 2006. Ainda que isso represente apenas 1,67% do total de crédito na economia, segundo dados oficiais, essa proporção vem aumentando rapidamente nos últimos anos.

De acordo com estimativas do J.P. Morgan Chase, essa proporção pode subir a até 7% no atual ciclo de crédito, o que significa que os bancos precisariam de US$ 600 bilhões para repor o capital perdido. Em um cenário de crise, a taxa subiria a 20%, o que demandaria uma injeção de 5 trilhões no sistema bancário. Fonte: Dow Jones Newswires.

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