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Forte payroll em fevereiro eleva chances de alta dos juros em junho nos EUA

14:30 | 04/03/2016
As chances de uma elevação de juros nos Estados Unidos em junho aumentaram após a divulgação do forte número de criação de vagas em fevereiro, mesmo com a queda no salário médio e no número de horas trabalhadas, dizem analistas.

Para o Bank of America Merril Lynch, mesmo contabilizando a queda do salário médio por hora trabalhada, cujo crescimento em doze meses recuou de 2,5% em janeiro para 2,2% em fevereiro, o relatório de hoje ainda apresenta números "sólidos". "Continuamos confortáveis com nossa aposta de que o Federal Reserve irá elevar os juros em junho", afirmaram analistas do banco.

Na opinião de Nariman Behravesh, economista-chefe da consultoria IHS, "se o Fed estava esperando um sinal claro do mercado de trabalho, isso não aconteceu em fevereiro". "O crescimento dos empregos é grande, mas ainda não dá para falar de inflação dos salários. Isso significa que as chances de uma elevação em março são pequenas, mas que o palco está montado para a reunião de junho."

Para Behvaresh, os números apoiam a expectativa de que a país continuará a criar mais de 200 mil postos de trabalho por mês nos próximos meses, o que deve levar a taxa de desemprego a cair a 4,6% no final do ano.

Os fortes números de criação de emprego de fevereiro devem ajudar a silenciar os temores de que a economia dos EUA caminha para uma recessão este ano, afirma Johnny Bo Jakobsen, analista-chefe do Nordea para os Estados Unidos. "O relatório de hoje mostra que a economia continua sólida apesar da desaceleração global e da volatilidade nas praças financeiras", disse. Com o crescimento do emprego, da inflação subjacente e do PIB, "será cada vez mais difícil para o Fed postergar futuras altas dos juros apenas com base nos movimentos de mercado", diz o Jakobsen, que manteve suas apostas para uma alta em junho.

Para Marc Chandler, do BBH, os números de fevereiro não são do tipo que precedem uma recessão, como alguns vêm temendo. "Assim como o Fed exagerou ao prever quatro altas neste ano, o mercado também passou do ponto ao crer em nenhuma alta", disse. Agora, afirmou, "os investidores começam a precificar uma chance maior de elevação dos juros ainda este ano, ao mesmo tempo em que o próximo gráfico de pontos do Fed deve mostrar uma redução do otimismo, com duas ou até três altas ainda este ano". (Marcelo Osakabe - [email protected])

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