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Economista indicado por Abe para conselho do BoJ apoia juros negativos

11:00 | 08/03/2016
O mais novo membro do conselho de política monetária do Banco do Japão (BoJ) é um defensor dos juros negativos e acredita que o banco central fez 70% do trabalho erradicar a mentalidade deflacionária dos japoneses.

Makoto Sakurai, diretor de uma consultoria financeira que leva seu nome, foi escolhido pelo primeiro-ministro Shinzo Abe para uma das duas vagas que ficarão vagas no conselho do BoJ mês que vem. Em um relatório de 15 páginas publicado em fevereiro, Sakurai afirma que os juros negativos são uma ferramenta poderosa para impulsionar o crédito.

"A utilização de juros negativos, que afeta a lucratividade das instituições financeiras, foi desenhada como um meio agressivo de expandir os empréstimos", afirmou o economista em relatório. "Ela pode ser considerada uma ferramenta de política monetária mais poderosa do que o relaxamento quantitativo, uma vez que tem mais impacto sobre as instituições financeiras", disse.

A nova medida fez cair os custos de empréstimos em uma janela de tempo bastante ampla imediatamente após seu anúncio. Para Sakurai, "uma das maiores questões será qual o efeito da queda da curva de juros ao longo do tempo", disse.

As posições do novo integrante do conselho do BoJ fazem crer que Abe o escolheu para favorecer a defesa dos juros negativos por Haruhiko Kuroda, presidente da instituição. Em janeiro, quando as taxas foram adotadas, a medida passou por um placar apertado de 5 votos favoráveis e 4 contrários.

Apesar da defesa dos juros, o relatório também sugere que Sakurai tem uma visão mais cautelosa sobre a economia do que a do banco central.

Para ele, o país está "andando de lado ou se recuperando moderadamente", mas muitos componentes demonstram fraqueza, como o investimento. Muitas companhias japonesas estão hesitantes em investir mais agressivamente desde que agosto do ano passado, por causa da desaceleração da China e do resto do mundo.

A estagnação do gasto dos consumidores, que responde por cerca de 60% da economia, "também começa a sobressair", disse, acrescentando que isso é compreensível dada a fragilidade dos salários reais, que em novembro dezembro tiveram um recuo em doze meses de 1,0% a 1,5%. "Ao menos que os salários nominais comecem a crescer a uma taxa anual de 2,0% a 3,0%, não haverá alta real dos salários reais, o que prejudica o consumo das famílias", disse.

Sakurai acredita que o BC "atingiu entre 60% e 70% de seu objetivo de eliminar" a deflação, considerando o aumento anual de pouco mais de 1,0% na inflação descontando os custos de energia. Fonte: Dow Jones Newswires.

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