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PBoC pede que governo aceite maior déficit fiscal na China

11:20 | 25/02/2016
Autoridades do Banco do Povo da China (PBoC) estão pedindo que o governo em Pequim tolere um déficit fiscal maior para ajudar a estabilizar o crescimento da economia do país, um reconhecimento de que o crédito bancário barato utilizado até agora pode ter esgotado seus efeitos.

As declarações foram feitas pouco antes do início das reuniões de ministros das finanças e banqueiros centrais do grupo das 20 maiores economias do mundo, o G-20, em Xangai. Entre os principais assuntos, está a discussão de novas soluções para apoiar o crescimento global, incluindo um maior foco na expansão fiscal e nas reformas de longo prazo em detrimento do crescimento baseado no crédito.

A reunião também acontece em meio a temores persistentes sobre a capacidade chinesa de gerenciar a desaceleração de sua economia. Nesta terça-feira, o índice composto de Xangai recuou 6,4%, a maior queda desde a primeira semana do ano.

É esperado que o Conselho do Estado da China aumente levemente o déficit fiscal para cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, ante 2,3% em 2015, de acordo com autoridades e conselheiros próximos ao órgão.

Em uma recomendação feita aos principais formuladores de políticas chinesas a que o Wall Street Journal teve acesso, um dirigente do BC chinês escreveu que o governo deveria elevar o déficit permitido para a região dos 4%, o que permitiria medidas como a redução de impostos para empresas.

"A política fiscal não tem sido proativa o suficiente", disse Sheng Songcheng, diretor do Departamento de pesquisa e estatística do PBoC e autor dos comentários. Em entrevista nesta quinta-feira, ele ponderou que existe uma preocupação de que a elevação do déficit fiscal possa levar a uma crise fiscal. "Mas nossa pesquisa mostra o contrário".

Uma combinação de fatores pode incentivar Pequim a expandir mais seu déficit fiscal. A dívida do governo central em relação ao PIB tem caído nos últimos anos, de 19,4% em 2007 para 15,1% em 2014, de acordo com o relatório de Sheng. A maior parte dela é em títulos de longo prazo em mãos de investidores domésticos. Existe pouca exposição estrangeira neste caso.

"A China tem espaço para expandir seu déficit fiscal para 4% ou até mesmo 4% do PIB mesmo que o crescimento deste ano caia a 5%", disse Sheng.

Ainda assim, uma forte expansão do déficit fiscal enfrenta forte resistência dentro do governo. O Ministério das Finanças tem se preocupado com a queda das receitas do governo e a alta dos riscos financeiros. Parte dos dirigentes também teme que o governo seja chamado a recapitalizar bancos chineses em algum ponto.

"A política monetária tem liderado o papel (de estimular a economia) porque existem muitos obstáculos do lado fiscal", disse Zhong Zhengsheng, diretor de pesquisa econômica da Hua Chuang Securities, uma corretora estatal.

Zhu Guangyao, o vice-ministro de Finanças chinês, sugeriu nesta quinta-feira que Pequim pode elevar seu déficit orçamentário este ano, mas não deu detalhes. "Teremos espaço para esse aumento", disse Zhu durante um painel realizado pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), realizado em Xangai. Fonte: Dow Jones Newswires.

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