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Estudo em site do BC mostra que dado público pesa mais em previsões que privado

11:35 | 04/02/2016
Os analistas dão peso maior à informação pública do que à privada quando formam expectativas de inflação no Brasil. Esta é uma das conclusões a que chegou o estudo do pesquisador do Banco Central Waldyr Areosa "What drives inflation expectations in Brazil? Public versus private information", divulgado na quarta-feira, 3, à noite, no site da instituição.

Outra conclusão do trabalho foi a de que isso ocorre porque a informação pública é mais precisa do que a privada. No entanto, salientou o autor ao mencionar o seu terceiro ponto, os analistas atribuem um sobrepeso à informação privada. Isso ocorre, conforme o quarto item destacado por Areosa, porque esta é uma forma de diferenciação em relação a seus pares.

As expectativas de inflação são atualmente um dos principais pontos de discordância entre os membros do Comitê de Política Monetária (Copom). Temerosos de que as projeções possam disparar ainda mais, dois diretores do Banco Central votaram na última reunião pela alta dos juros para 14,75% ao ano. A maioria dos membros do colegiado, no entanto, acredita que o movimento - assim como a alta da própria inflação - possa se atenuar com os desdobramentos da piora do cenário externo sobre o Brasil.

Basicamente, o que se percebe são dois raciocínios diferentes sobre a relação das expectativas e da inflação dentro do Copom. Para um grupo, as expectativas podem ser um condutor da baixa ou alta da inflação e, por isso, precisam ser combatidas imediatamente. Para outro, é a inflação corrente que está levando à alta das previsões e a elevação dos preços pode ser pelo menos em parte estancada com efeitos externos sobre a atividade brasileira, que já está debilitada.

O estudo sobre o tema publicado ontem faz parte da série Working Papers - este é o de número 418 - e o BC sempre ressalta que esses trabalhos não expressam necessariamente a visão da autoridade monetária sobre os temas abordados. Areosa ressalta que as expectativas de inflação têm um importante papel na teoria e na prática da política monetária. Ele lembra também que o IPCA tem sido o indicador oficial da meta de inflação desde a adoção do regime, em 1999.

No estudo, o autor cita a coleta diária de informações feita pelo BC, que se transforma semanalmente (às segundas-feiras) no Relatório de Mercado Focus. Ele enfatiza que, para estimular os participantes a atualizarem suas projeções com qualidade, a instituição faz uma classificação especial, denominada Top 5, para destacar as instituições financeiras que conseguem apresentar estimativas que, depois, se confirmam como as mais próximas da realidade. As demais são mantidas sob sigilo.

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