PUBLICIDADE
Notícias

Saída de dólares supera entrada em US$ 1,112 bilhão na 1ª semana de 2016

12:25 | 13/01/2016
O Brasil enviou mais dólares do que recebeu na primeira semana de 2016. Dados divulgados nesta quarta-feira, 13, pelo Banco Central revelam que o fluxo cambial total ficou negativo em US$ 1,112 bilhão nos primeiros dias do ano. Em idêntico período do ano passado, o resultado havia sido ainda pior, com saídas US$ 3,071 bilhões maiores do que as entradas.

Em 2015, mesmo com a desconfiança política e de indicadores ruins da economia, que levaram o Brasil a perder o selo de bom pagador por duas agências de classificação de risco, o fluxo cambial total ficou positivo em US$ 9,414 bilhões. Este foi o melhor resultado desde 2012, segundo o BC.

No início deste ano, a retirada de dólares pelo canal financeiro foi de US$ 1,948 bilhão, fruto de entradas no valor de US$ 5,169 bilhões e de envios no total de US$ 7,117 bilhões. Este segmento reúne os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamento de juros, entre outras operações. Nos últimos dois anos, a área financeira foi a porta de saída de recursos do Brasil.

Já no comércio exterior, o saldo ficou positivo em US$ 836 milhões de 4 a 8 de janeiro, com importações de US$ 2,166 bilhões e exportações de US$ 3,003 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 751 milhões em Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), US$ 540 milhões em Pagamento Antecipado (PA) e US$ 1,712 bilhão em outras entradas.

Dos cinco primeiros dias úteis do ano, o volume de entradas apenas superou o de saídas na quinta-feira, dia 7. Nos demais dias da semana, o resultado foi sempre negativo, na casa de US$ 300 milhões diários.

Swap cambial

Após o rombo recorde em 2015, as operações de swap cambial voltaram a dar prejuízo ao Banco Central com o dólar comercializado levemente acima de R$ 4,00 em praticamente todos os dias da primeira semana do ano. Conforme dados atualizados pela instituição, pelo efeito caixa, o resultado ficou negativo em R$ 15,870 bilhões de 4 a 8 de janeiro. No acumulado do ano passado, a perda foi de R$ 89,657 bilhões pelo resultado caixa e R$ 102,628 bilhões pelo competência - o maior desde que começou a oferecer esse tipo de operação ao mercado, em 2002.

Pelo efeito competência, os prejuízos com essas operações somaram R$ 6,898 bilhões na primeira semana de 2016. O resultado das operações de swap por competência inclui ganhos e perdas ocorridos no mês, independentemente da data de liquidação financeira. A liquidação financeira desse resultado (caixa) ocorre no dia seguinte, em D+1. Em dezembro, o BC teve perdas de R$ 7,794 bilhões com os leilões pelo resultado caixa e de R$ 4,205 bilhões pelo competência.

O swap é uma ferramenta que o BC possui para evitar volatilidades bruscas no mercado de dólares. A instituição alega que o objetivo desse instrumento não é o de controlar a cotação da moeda, já que no País funciona o regime de câmbio flutuante. Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado no fim do ano passado, o presidente do BC, Alexandre Tombini, chegou a argumentar a parlamentares mais críticos que isso tanto é verdade que o dólar teve valorização em 2015.

Estudo apresentado pelo próprio BC este ano, no entanto, põe em xeque a atuação da autoridade monetária nessa área para reduzir oscilações mais fortes do mercado.

Reservas

Em contrapartida ao prejuízo do início do ano, o BC obteve ganho de rentabilidade com a administração das reservas internacionais de R$ 43,751 bilhões nos primeiros dias de 2015. Entram nesse cálculo ganhos e prejuízos com a correção cambial, a marcação a mercado e os juros. O resultado líquido das reservas, que é a rentabilidade menos o custo de captação, ficou positivo em R$ 35,618 bilhões no período.

Com isso, para o BC, o resultado das operações cambiais ficou no azul em R$ 28,720 bilhões na primeira semana de 2016. O BC sempre destaca que, tanto em relação às operações de swap cambial quanto à administração das reservas internacionais, a autarquia não visa ao lucro, mas fornecer hedge ao mercado em tempos de volatilidade e manter um colchão de liquidez para momentos de crise.

TAGS