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Poluição e proteção de petroleiras levam China a criar piso para combustíveis

11:15 | 13/01/2016
Os altos níveis de poluição gerados pelo consumo excessivo de derivados de petróleo e preocupações com as petroleiras estatais chinesas estão por trás da decisão do governo da China de impor um piso para os preços desses produtos no país.

A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês) informou que um novo mecanismo para gasolina, diesel e outros derivados impedirá ajustes nos preços quando os contratos internacionais de petróleo bruto estiverem abaixo de US$ 40 por barril.

Quando o valor estiver acima disso, os preços dos derivados serão reajustados a cada dez dias se as flutuações nos mercados internacionais forem maiores que o equivalente a 50 yuans (US$ 7,60) por tonelada. Além de impor um piso para os preços dos derivados, a NDRC informou que vai limitar ou suspender ajustes de preços se o petróleo superar US$ 130 por barril.

Esse mecanismo surge depois de a NDRC desativar no mês passado o sistema de preços anterior, que era parecido com o anunciado hoje, mas não incluía um piso. Na época em queda decidiu descartar esse sistema, a NDRC afirmou que a forte queda nos preços dos combustíveis estava gerando uso excessivo e poluição.

Hoje a NDRC admitiu que um dos objetivos do novo esquema é proteger as companhias de petróleo locais. As três maiores petroleiras do país empregam milhões de pessoas e os líderes em Pequim querem evitar os drásticos cortes de vagas que outras empresas do setor têm anunciado ao redor do mundo.

"Os preços do petróleo muito baixos não contribuem para o desenvolvimento saudável de longo prazo da nossa indústria de petróleo", declarou a NDRC em um comunicado. O órgão acrescentou que tornar a gasolina e outros combustíveis fósseis muito baratos não beneficia o desenvolvimento de fontes de energia limpa.

O governo chinês, liderado pelo presidente Xi Jinping, tem prometido deixar os preços de diversos produtos - de gasolina a eletricidade - serem mais orientados pelos mercados. No entanto, embora tenha havido progresso nos últimos anos, o movimento de hoje mostra como o governo continua disposto a intervir quando sentir que iniciativas estratégicas estão sendo desafiadas.

Em outras palavras, a decisão anunciada hoje pode alimentar as desconfianças de investidores e analistas quanto às reais intenções do governo chinês e reforçar a sensação de que o país está tendo dificuldades para implementar as reformas destinadas à transição de uma economia dependente de grandes indústrias para uma economia mais focada no consumo interno. Fonte: Dow Jones Newswires.

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