PUBLICIDADE
Notícias

Multimercados buscarão ganhar com volatilidade e gestores ainda apostam em dólar

13:25 | 17/01/2016
Em mais um ano em que a volatilidade ditará o tom dos negócios, a flexibilidade dos fundos multimercados possibilitará maior ativismo dos gestores com o olhar em diversas estratégias, com atenção redobrada no mercado internacional. Mesmo após um ano em que a posição comprada em dólar foi uma das preferidas, essa aposta vem sendo mantida, ainda que em menor grau, diante da percepção de continuidade da deterioração dos fundamentos econômicos no Brasil e também pelo contexto externo, com o início do aumento dos juros pelo Banco Central dos Estados Unidos (Fed, na sigla em inglês).

Além do dólar contra o real, o olhar dos gestores segue ainda atento a outras moedas emergentes, como o rand, da África do Sul, conta o responsável pela plataforma de fundos da XP Investimentos, Gustavo Pires. "O cenário político-econômico se mostra em ritmo muito parecido com o de 2015, com muitas questões em aberto. O fato de se ter um cenário volátil e bastante tumultuado se torna algo favorável para os bons gestores, uma vez que a volatilidade gera potencial de ganho", destaca Pires. Os multimercados da modalidade macro, que aplicam em diversas modalidades de ativos, são apontados como os mais aptos a capturarem ganhos com o pano de fundo de alta volatilidade.

Uma das diferenças neste ano, lembra o diretor executivo de Investimento do Citi, Ennio Moraes, é que, além do Brasil, o mundo agora também vive um momento de mais volatilidade. As dúvidas em relação à China, que ganharam ainda mais força neste início de ano, trazem bastante volatilidade aos mercados em todo o mundo. Moraes cita que, diante desse contexto, a diversificação global se torna cada dia mais relevante para a rentabilidade do fundo. A possibilidade de se buscar por oportunidades no exterior foi ampliada no ano passado com a modernização da instrução 409, que foi substituída pela 555, e que passou a regular os fundos de investimento no Brasil. Pelas novas regras, os fundos multimercados tiveram o limite de exposição no exterior dobrado, de 20% para 40% da carteira.

Composição semelhante

Na prática, no entanto, os gestores entraram em 2016 com uma composição de suas carteiras muito próxima da montada no início do ano passado, conforme estudo feito pela consultoria RiskOffice, a pedido do Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Considerando o patrimônio líquido dos fundos dessa modalidade, a maior exposição são os juros prefixados, ou seja, uma postura bastante conservadora. A exposição em dólar, por outro lado, representa o maior risco das carteiras. "Os gestores se adiantam e o pessimismo é basicamente o mesmo. As preocupações podem ser outras, mas o reflexo na carteira é igual", afirma o presidente da RiskOffice, Alberto Jacobsen.

Marcelo Mello, vice-presidente da SulAmérica Investimentos, lembra que, no passado, por volta de 2009, os gestores multimercados conseguiam apresentar bons ganhos apoiados no "kit Brasil", que era manter posições compradas em Bolsa, câmbio e aposta na queda dos juros. Agora, depois de alguns anos em que esses fundos observaram seu patrimônio cair, os investidores podem começar a aplicar nessa modalidade, após ganho de maturidade por parte dos gestores e também pelos investidores. "O ano passado mostrou ao investidor que é possível ganhar no mercado mesmo quando o ambiente é difícil. Então essa é uma categoria bem posicionada para capturar algum fluxo em 2016", frisa Mello. Ele lembra, no entanto, que essa entrada não deverá ser acentuada, visto que a elevada taxa de juros (Selic) mantém grande parte dos investidores em estratégias mais conservadoras.

Os fundos multimercados macro registraram rentabilidade de 21,82% no ano passado, ante uma taxa CDI de 13,24%, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Na contramão, refletindo a aversão ao risco, essa foi a modalidade que liderou os resgates líquidos, que somaram R$ 32,8 bilhões no período.

Marcelo Giufrida, sócio da Garde Asset Management, lembra que há grandes gestoras com os fundos multimercados fechados para captação, o que acaba também influenciando para número maior de resgate. "Apesar dos fundos multimercados terem benchmark de curto prazo, que é o CDI, esse é um investimento de longo prazo", destaca Giufrida. Ele lembra que, ainda mais do que no ano passado, as incertezas deram um salto, diante da troca do ministro da Fazenda e, agora, com a possibilidade de nova mudança da política monetária pelo Banco Central (BC).

TAGS