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'Decisão do BC deixa no ar possibilidade de influência política', diz Senna

09:45 | 21/01/2016
Na avaliação do chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), José Júlio Senna, a melhor opção para o Banco Central era, de fato, manter a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano. O problema, afirma ele, foi a sinalização de que o BC retomaria um ciclo de alta dos juros.

Na opinião de Senna, ex-diretor do Banco Central, a confusão envolvendo a nota oficial emitida pelo presidente da instituição, Alexandre Tombini, sobre as perspectivas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a economia brasileira e a consequente mudança de rota na política econômica provocaram um "dano à credibilidade" da instituição. "A decisão deixa no ar a possibilidade de interferência política", afirmou Senna em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

"A economia como um todo sai perdendo, não somente pelo dano à credibilidade da autoridade monetária, mas também pela alta dos juros mais longa e das inflações implícitas que se seguiram à nota do Banco Central da última terça-feira", avaliou.

"A sinalização errática seguramente provocará uma desancoragem das expectativas", disse o economista. "De qualquer modo, chegamos a um ponto em que, sem ajustes fiscais profundos, as expectativas e a própria inflação não cederão. E o melhor que o BC pode fazer daqui em diante é evitar o agravamento das contas públicas e ajudar o público a compreender o quadro prevalecente no Brasil", afirmou.

Questionado sobre como o BC poderia lidar com o quadro de economia fraca e com inflação acima do teto da meta, Senna ressaltou que o quadro recessivo "já é por demais severo". "Num regime de metas de inflação, há uma hierarquia de objetivos. Combater a inflação é a prioridade. Mas não a qualquer custo. Quando a atividade econômica está muito fraca, e tende a se enfraquecer ainda mais, isso tem de ser levado em conta".

"As expectativas de inflação têm subido continuadamente desde o início do segundo semestre de 2015. Estão desancoradas. Esse é um fator que se contrapõe aos efeitos baixistas da recessão", finalizou o economista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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