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Conjuntura não influenciou criação de empresa gestora de crédito, diz Portugal

16:15 | 21/01/2016
O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, afirmou que considerações conjunturais do Brasil não influenciaram na decisão dos bancos de lançarem a gestora de inteligência de crédito (GIC). "A decisão de lançar o projeto não foi baseada em considerações conjunturais, mas estruturais. Os bancos são parceiros do desenvolvimento econômico, acreditam no Brasil, que é um País de enormes possibilidades e economia diversificada", destacou Portugal.

De acordo com ele, a expectativa de a nova empresa estar operacional em quatro anos não significa que o crédito vai se recuperar antes disso. Para ele, a desaceleração no crescimento dos empréstimos está em linha com a atividade econômica. Apesar disso, a Febraban espera, segundo Portugal que o crédito mantenha o ritmo de expansão visto no ano passado e avance 7% em termos nominais em 2016.

"Este ano, o ritmo de atividade deve ser um pouco mais enfraquecido e vamos ter ainda inflação perto do teto, mas, diferente do que ocorreu em 2015, não esperamos que o crédito tenha resultado real negativo", afirmou.

Ainda segundo Portugal, a criação da GIC não está relacionada a leis já existentes no setor. "A iniciativa não tem nenhuma vinculação com a lei de aviso de recebimento (que estabelece que o devedor inadimplente seja notificado antes que seu nome integre as listas de nomes sujos) nem com nenhuma outra iniciativa legislativa no Brasil", afirmou ele, em coletiva de imprensa, realizada nesta tarde.

Segundo o presidente da Febraban, o projeto está sendo estudado há mais de dois anos pelos bancos, que tinham interesse em voltar a atuar na área de informações de crédito, hoje dominada pelos birôs de crédito, de olho no crescimento do crédito no País. Destacou ainda que os bancos têm expertise em lidar com grandes números de crédito e manutenção, segurança e privacidade de sigilo de dados, com boa capilaridade.

Sobre expectativas para a nova empresa, conforme Portugal, não há projeções para a base de clientes da GIC, que também será batizada com outro nome. Conforme ele, o plano de negócios da GIC será definido a partir de agora e, com isso, o investimento que os bancos farão na nova empresa ainda não está fechado.

Selic

Ao ser questionado sobre a decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 14,25% ao ano, divulgada ao término da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de quarta-feira, 20, Portugal afirmou que não é sua função ser analista de condições macroeconômicas. "O mercado estava dividido quanto ao que poderia acontecer com a Selic e, no caso de aumento, de quanto seria", disse ele, na coletiva de imprensa, sem fazer considerações mais detalhadas.

De acordo com Portugal, o patamar em que a Selic deveria ficar após a reunião do Copom dividia tanto o mercado, incluindo grandes especialistas na área, como o próprio Comitê.

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