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Ministro brasileiro elogia desvalorização do peso negada pelo BC argentino

16:30 | 20/12/2015
Assunção, 20/12/2015 - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, elogiou neste domingo, 20, a desvalorização do peso feita na quinta-feira pelo governo do presidente argentino, Mauricio Macri. A unificação de cinco tipos de dólar significou o fim de um controle mantido desde 2011 pelo kirchnerismo e provocou uma alta de 41% na moeda americana. Segundo Monteiro, a medida permite dar mais dinamismo à relação entre a Argentina e os demais membros do Mercosul. Horas antes, o presidente do Banco Central argentino, Federico Sturzenegger negou-se a chamar a medida de desvalorização.

Ambos participavam da Cúpula do Mercosul em Assunção. "O que houve foi uma valorização do peso. Era a medida que precisávamos tomar e a partir disso a situação se normalizará." A desvalorização não admitida por Sturzenegger reduziu o poder de compra do peso em 30%. A cotação oficial mantida artificialmente era de 9,8 pesos e passou a 14 na quinta-feira, baixando a 13,60 na sexta-feira.

Alheio à oposição argentina a esta nomenclatura, Monteiro afirmou que "uma taxa de câmbio realista é muito importante". "As medidas que estão sendo anunciadas são coerentes com as linhas da nova política econômica e o mercado está recebendo muito bem", afirmou. "A nossa avaliação tem de ser nesse espírito de sócios. O que for bom para o sócio é bom para o conjunto. Independentemente se alguém ganha ou perde no curto prazo, a saúde das economias é a melhor garantia que o comércio poderá ter dinamismo sustentável", disse.

Ao ser questionado se era a primeira vez que um representante do governo brasileiro oficialmente criticava a relação com a ex-presidente Cristina, Monteiro tangenciou. "O Brasil e a Argentina estão casados e seguem casados. Agora podem discutir a relação. Como toda boa relação, tem discussão e pode ter até divergência, mas esse casamento é indissolúvel na minha avaliação", afirmou. O governo de Cristina Kirchner se recusava a aceitar o uso da palavra "cepo", nome de uma tortura que imobiliza a vítima, para o controle cambial que exercia.

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