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IPCA de maio reforça discurso duro do BC, avalia Besi Brasil

11:30 | 10/06/2015
O economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, avaliou nesta quarta-feira, 10, que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em maio, de 0,74%, "surpreendeu com um desvio muito acima das nossas projeções (de 0,60%)", refletindo a percepção de uma dinâmica inflacionária ruim. "Isso reforça o discurso duro do Banco Central de se manter vigilante com a inflação na política monetária", explicou Serrano.

Segundo ele, apesar da surpresa negativa, a alta do IPCA de maio foi puxada por fatores pontuais, principalmente alimentação em domicílio, com alta de 1,60%, ante uma expectativa de 1%. Cebola, tomate, cenoura e ainda carnes, esse último item com uma alta considerável de 2,3% em maio, segundo Serrano, foram os destaques negativos. Para ele, até mesmo os cereais tiveram uma desaceleração menor que o esperado e não contribuíram para segurar o indicador do mês passado.

Outro fator pontual que impactou a inflação em maio foi a alta de 2,77% na energia elétrica, ante aumento de 0,80% esperado pelo Besi Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além dos reajustes na energia em regiões do Nordeste, um fator que contribuiu para pressionar o indicador foi o reajuste do PIS/Cofins da energia elétrica em 529,25% na região de Vitória (ES). "Mudanças de PIS/Cofins como essas são difíceis de monitorar", ressaltou Serrano.

A média dos núcleos do IPCA de maio ficou em 0,68%, segundo cálculos do Besi Brasil, perto dos 0,66% esperado, o que, no entanto, ainda é muito elevado na opinião do economista. Serrano espera que o IPCA de junho fique entre 0,50% e 0,55% e que uma desaceleração esperada para entre maio e junho possa ocorrer entre julho e agosto, por conta da queda nos preços de alimentos que subiram com força até agora. Para 2015 a inflação deve fechar entre 8,5% e 9%.

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