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Renda menor reflete efeitos desejados do ajuste fiscal, diz a Gradual

14:50 | 28/04/2015
A queda na renda dos trabalhadores verificada no mês de março apontada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já é um efeito do ajuste fiscal que está sendo implementado pelo governo, na avaliação do economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. "Já conseguimos com isso ver os efeitos desejados do ajuste. Todo mundo queria o ajuste: está aí o ajuste", afirmou.

Conforme o IBGE, o rendimento médio real dos trabalhadores registrou queda de 2,8% em março ante fevereiro. Já na comparação com março de 2014, houve queda de 3,0%. Para Perfeito, o "remédio é amargo" pois o ajuste será justamente nos salários. Paradoxalmente, a "boa notícia" é que a situação está ruim para o emprego. "Infelizmente, ou felizmente, o rendimento começa a mostrar essa queda, que era esperada. É uma boa notícia para a inflação", explicou.

Segundo o economista, já é esperado também que parte do ajuste seja feita com o aumento do desemprego. Ele destaca ainda que com o governo diminuindo ou redimensionando alguns programas, como o Fies, a tendência é de que mais jovens deixem de estudar e procurem emprego. "Isso deve aumentar a População Economicamente Ativa (PEA) e consequentemente elevar a taxa de desemprego", afirmou.

Na avaliação de Perfeito, a situação de março ainda deve ser o início de um aumento no desemprego e da queda da renda. "Esse efeito ainda não começou de fato, vai ser ainda mais forte até o final deste ano", afirmou. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego apurada nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil ficou em 6,2% em março, ante 5,9% em fevereiro, segundo dados sem ajuste sazonal. "Imagino o desemprego chegando a 7% e 7,5% no final do ano", avaliou. "O governo está muito determinado em fazer isso, deixar o a taxa de desemprego subir pelo menos em 2015", disse. "O remédio é amargo", reforçou.

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