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PIB dos EUA surpreende e faz dólar disparar

06:50 | 24/12/2014
O melhor resultado em uma década da expansão dos Estados Unidos pressionou fortemente o dólar, que voltou a disparar ontem (23) no País. Enquanto o PIB dos EUA cresceu 5% no terceiro trimestre, o Banco Central brasileiro anunciou uma redução em sua projeção para o crescimento da economia do País em 2014 de 0,7% para somente 0,2%.

Em meio a esse contraste, os agentes financeiros no Brasil se sentiram ainda mais motivados a acompanhar o movimento global de busca de proteção no dólar. O resultado foi a aceleração da moeda norte-americana no mundo e ante o real brasileiro, que voltou a fechar no patamar de R$ 2,70, após cair para o nível de R$ 2,65 durante a manhã.

A economia dos EUA surpreendeu e cresceu no terceiro trimestre no ritmo mais forte em 11 anos puxado pela expansão do consumo e dos investimentos. A previsão dos analistas é que a recuperação do país vai continuar avançando e pode ganhar fôlego extra com a queda dos preços do petróleo, que deve estimular o consumo interno. Com isso, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode estar mais perto de subir os juros, mantidos próximos de zero desde 2008.

O PIB dos EUA foi revisado para cima e mostrou expansão, em números anualizados, acima dos 4,3% esperados pelos economistas. Dados mais recentes, de novembro, mostram que o consumo, o motor da expansão dos EUA, continua avançando. No mês passado, cresceu 0,6%, a maior taxa dos últimos três meses e pouco acima dos 0,5% esperados pelos analistas.

A economista sênior do BMO Capital Markets, Jennifer Lee, avalia que a revisão para cima foi pelos motivos certos, o consumo interno está forte. Além disso, outros segmentos, como investimento privado, estoques e gastos do governo tiveram melhora nos números. O único setor que vem decepcionando é o imobiliário. As vendas de moradias novas caíram 1,6% em novembro.

Juros

Na semana passada, a presidente do Fed, Janet Yellen, afirmou que os juros podem não subir nas duas primeiras reuniões de política monetária de 2015, mas tudo depende de indicadores. Para o economista-chefe do Bank of Tokyo-Mitsubishi, Chris Rupkey, os dados sinalizam que a alta pode estar próxima. "A economia está quase em um estágio em que precisa de um aperto na política monetária", destaca Rupkey. Para ele, os norte-americanos estão gastando mais, como mostram os dados do terceiro trimestre, mesmo antes da queda mais forte do preço do petróleo, que deve liberar mais renda das famílias. A expansão do consumo no período foi revista para cima, de 2,2% da estimativa anterior para 3,2%. Com a redução dos preços dos combustíveis, esta taxa pode ser ainda maior, avalia o economista.

O economista-chefe do Deutsche Bank, Joseph LaVorgna, vai na mesma direção que Rupkey. "O Fed não pode deixar os juros em zero com a economia crescendo neste patamar." Para o quarto trimestre, já com o estímulo dos preços menores dos combustíveis, LaVorgna vê o PIB com chances de crescer acima de 4%.

Na avaliação da economista da corretora Mesirow Financial, Diane Swonk, a economia dos EUA claramente dá sinais de uma recuperação mais forte e coloca o Fed perto de elevar os juros. Mas nem todos os números podem ser comemorados. Ela destaca que as encomendas de bens duráveis vieram piores que o previsto e caíram 0,7% em novembro na comparação com o mês anterior. A expectativa era de alta de 3%. Se para o consumo a aposta é de aceleração, para o investimento privado há maior incerteza, pois o setor de petróleo pode desacelerar gastos por conta da queda da commodity, avalia a economista.

Inflação

O petróleo, além de impactos no consumo e investimentos, tem contribuído para reduzir a inflação, o que para alguns economistas pode levar o Fed a ser mais cauteloso para elevar os juros. O índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), medida preferida do Fed para acompanhar a alta de preços e também divulgado ontem, caiu 0,2% em novembro ante outubro. A expectativa era de alta de 0,1%. Na semana passada, porém, Yellen declarou que a desaceleração da inflação pode ser passageira . (com Agência Estado) As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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