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GO Associados: desafio de equipe econômica será 'árduo'

12:00 | 30/11/2014
O diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fábio Silveira, considerou "árduo" o desafio dos três indicados para comandar a área econômica do governo a partir de 2015 - Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central) - e a expectativa, segundo o economista, é de que a equipe busque em primeiro lugar o resgate da credibilidade fiscal. O tema, aliás, abriu o discurso de Levy, ao ser apresentado, esta semana, como o futuro ministro da Fazenda, quando ele propôs metas de superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2015 e de no mínimo 2% para 2016 e 2017.

"O resgate da credibilidade fiscal é o primeiro indicador que os investidores olham. Isso passa por reduzir ao máximo as despesas e aumentar tributação onde puder para gerar o desejado superávit primário, que hoje está um desastre", disse Silveira. Ao ser indagado por uma jornalista se aumentaria tributos e cortaria benefícios, Levy afirmou apenas que as medidas necessárias para equilibrar as contas públicas serão tomadas e reafirmou a responsabilidade de cumprir a meta do superávit. "O ministro terá de mexer em focos que são sabidamente problemáticos, como seguro-desemprego, pensões e aposentadorias", afirmou Silveira.

O diretor de pesquisa econômica da GO Associados lembrou que a volta da credibilidade fiscal é importante para que "o mercado internacional não piore a visão do Brasil, que, ao contrário do muitos falam, não é ruim, pois o Brasil ainda tem uma injeção de recursos externos e risco país baixo", disse.

Ainda segundo Silveira, a segunda meta dos próximos comandantes da economia será reduzir os quase 5% do PIB de déficit de transações correntes, o que passa principalmente pelo incentivo à competitividade da indústria por meio do aumento da produtividade do setor, como destacou o futuro ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. "É preciso melhorar a competitividade com redução de carga tributária e até com uma redução de juros, pois o custo de capital de giro é gás venenoso com destruição progressiva para as empresas que precisam disso a todo segundo", disse Silveira.

O economista destacou ainda um maior controle da inflação, o qual não envolve apenas juros. No entanto Tombini no discurso desta semana sinalizou que o controle da inflação seguirá por meio do aumento da Selic. "Eles vão tomar um susto no final do ano e vão ter de passar o Natal e o revéillon em Brasília por conta da pressão inflacionária", disse Silveira.

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