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FGV revisa para cima previsão do IPC-S em novembro

09:50 | 24/11/2014
A aceleração do grupo Alimentação entre a segunda e a terceira leituras do mês motivou o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), Paulo Picchetti, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a revisar a projeção para o dado fechado de novembro. Agora, a previsão do economista para o IPC-S do penúltimo mês deste ano é de inflação de 0,60%. "Só falta uma semana para fechar o mês, e certamente essa projeção de 0,50% está ultrapassada. A previsão está mais para perto de 0,60% e até mais um pouco. Infelizmente, a notícia desse IPC-S é a revisão para cima, neste momento em que não precisávamos disso", admitiu há pouco em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, ao referir-se ao fato de que a pressão inflacionária segue elevada. Em novembro do ano passado, o IPC-S terminou o período em 0,68%.

Por enquanto, o economista mantém a expectativa de 6,40% para o IPC-S de 2014. Ele considerou, no entanto, que a estimativa poderá ser alterada para um número maior no dia 1º dezembro, quando a FGV divulga o dado fechado de novembro.

A classe de despesa de alimentos apresentou variação positiva de 0,66% na terceira quadrissemana do mês (últimos 30 dias terminados no sábado, 22), após ter marcado 0,52%. A aceleração foi impulsionada especialmente pelas hortaliças e legumes, que avançaram para 8,80% neste levantamento, depois de 6,72% na segunda medição de novembro. O IPC-S, por sua vez, ficou em 0,58% (de 0,50%).

"Alimentação era o que justamente estava segurando a revisão, já que os aumentos da gasolina e de energia elétrica eram esperados. A dúvida sempre ficava nos alimentos, principalmente os in natura", avaliou. Picchetti lembrou ainda que, inicialmente, a projeção para o IPC-S era de alta de 0,40% para o fechamento do mês, mas que foi elevada, para 0,50%, depois do anúncio do reajuste dos combustíveis recentemente. Agora, está em 0,60%, com viés de alta.

De acordo com Picchetti, alguns itens alimentícios podem estar sofrendo com mais intensidade os reflexos da falta de chuva, o que tende a explicar a aceleração nos preços dos produtos e a perspectiva de novos aumentos à frente. No IPC-S da terceira quadrissemana de novembro, o economista citou como exemplo a variação de 47,60% da batata-inglesa. Segundo ele, nas pesquisas de ponta (mais recentes), a batata já está subindo mais de 70%. "Só a alta da batata-inglesa deu uma contribuição de 0,02 ponto porcentual no IPC-S da terceira quadrissemana", contou. "Provavelmente alguns produtos estão sentindo os efeitos da estiagem. Não parecem ser movimentos de longo prazo, de safra", completou Picchetti.

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