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Brasil terá dificuldade para desligar térmicas em 2015

11:30 | 09/11/2014
O mais recente cenário traçado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) para 2015 descarta a possibilidade de o Brasil precisar adotar um racionamento de energia no próximo período seco, a partir de maio. Diante do volume de chuvas esperado para o período úmido, entre novembro e abril, e da disponibilidade de geração térmica, o nível dos reservatórios na região Sudeste deve chegar ao final de abril em aproximadamente 60%. Acima, portanto, dos 39% registrados em abril deste ano, o que evidencia um cenário mais favorável em termos numéricos, mas ainda incapaz de permitir ao ONS abrir mão da operação das usinas térmicas.

Um estudo elaborado pela Safira Energia a pedido Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, com base em projeções anunciadas na semana passada pelo operador nacional, mostra que o risco de haver um racionamento de energia em 2015 não é tão premente quanto sugerem alguns críticos ao modelo proposto pelo governo federal. Tampouco é tão confortável quando indicam algumas declarações de membros do governo. A razão está no fato de o nível de chuvas nos próximos seis meses ser determinante para delinear a situação brasileira no próximo período seco.

O nível dos reservatórios no mercado que engloba as regiões Sudeste e Centro-Oeste estava em 18% ontem, de acordo com o ONS. Até o final de novembro, ele deve estar abaixo de 17%. Porém, a partir de dezembro, o nível dos reservatórios tende a se recuperar e mais do que triplicar até o final de abril. Espera-se que, entre janeiro e abril, a energia natural afluente (ENA) - o indicador que dimensiona o volume de chuvas nas regiões dos reservatórios - fique próxima a 80% da média histórica registrada nas últimas oito décadas.

Alcançada essa marca, o nível dos reservatórios na região Sudeste poderá chegar a 59,15% da capacidade ao final de abril, de acordo com o levantamento da Safira. Essa previsão, pondera o gerente de regulação da Safira Fábio Cuberos, considera um cenário no qual as térmicas rodarão a plena durante todo o período chuvoso. "Se chegarmos a 55% ou 60% da capacidade no final do período úmido, não teremos problemas de desabastecimento, desde que o ONS mantenha as térmicas, como tem sido sinalizado", explica o gerente da gestora de energia. "Desligar as térmicas nesse cenário esperado seria uma temeridade", complementa Cuberos.

O número, aparentemente confortável quando comparado aos atuais níveis ou até mesmo àqueles registrados no início deste ano, esconde uma série de riscos. Cuberos lembra que a simulação não considera a necessidade de paradas programadas nas térmicas e eventuais problemas de transmissão na interconexão entre o Sudeste e outras regiões.

Outro risco, ainda mais preocupante, estaria na possibilidade de o volume de chuvas ficar aquém do esperado para o período úmido. Em uma simulação na qual os níveis pluviométricos do último período chuvoso são repetidos no próximo intervalo de novembro a abril, a situação se mostra muito menos confortável. Os reservatórios, nesse caso, chegariam a abril com 48% da capacidade. "O fato é que estamos dependendo da chuva. O sistema está em stress e o nível dos reservatórios está baixo. As térmicas devem ficar ligadas e dependeremos muito do próximo período úmido", sintetiza Cuberos.

O estudo elaborado pela Safira dimensiona o grau de dependência do sistema elétrico brasileiro em relação às chuvas. Caso o nível de afluências entre novembro deste ano e abril de 2015 ficasse em linha com a média, ou seja, 100% da média de longo termo (MLT), o nível dos reservatórios na região Sudeste chegaria ao final do período úmido em impensáveis 97% da capacidade, considerando os padrões atuais.

Esse número, contudo, não será alcançado dado que as previsões dos institutos de meteorologia, do ONS e de diversos especialistas sugerem chuvas abaixo da média histórica para o período. Além disso, a previsão do ONS para o mês de novembro indica chuvas equivalentes a apenas 74% da média de longo termo (MLT).

Outro fator limitante ao aumento do nível dos reservatórios da região Sudeste, explica Cuberos, está associado ao custo de geração de energia. Em um eventual cenário de forte recuperação dos reservatórios durante os primeiros meses do ano, o ONS tenderia a desligar as térmicas mais caras. Com isso, a geração das hidrelétricas seria maior e a recomposição dos reservatórios, mais moderada.

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