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Tendências diz que contas externas se deterioram

10:55 | 24/10/2014
O déficit em conta corrente em setembro demonstra claramente um processo de deterioração das transações do Brasil com o mercado externo, diz Bruno Lavieri, economista da Tendências Consultoria. "O déficit anunciado hoje veio acima do esperado, explicado em parte com uma surpresa na conta de 'lucros e dividendos' e em balança comercial".

O resultado negativo ficou em US$ 7,907 bilhões em setembro. É o pior para o mês na história do relatório, realizado pelo Banco Central desde 1980. Lavieri lembra que, desde 2007, o País não consegue um superávit no ano. "O resultado mostra que está em curso um aprofundamento do déficit em conta corrente", diz.

O economista argumenta que os resultados parciais da balança comercial em outubro já demonstram a mesma situação. Para Lavieri, o resultado é consequência de uma "economia desbalanceada, com muito incentivo ao consumo e poucos ou ineficientes investimentos" no lado da oferta. "É preciso entender que o déficit não pode crescer infinitamente", diz. Em 12 meses, o resultado negativo já soma US$ 83,557 bilhões, o que "não é pouco", na avaliação do economista.

O mais grave, segundo Lavieri, é o fato de em setembro a maior parte do déficit ter sido financiada com capital de curto prazo. O Investimento Estrangeiro Direto (IED), geralmente destinado ao setor produtivo e de mais longo prazo, somou US$ 4,214 bilhões no mês passado. Além de ser o menor para o mês desde 2009, o resultado é muito inferior ao capital considerado especulativo ou de curto prazo. "A conta do capital especulativo somou US$ 12,1 bilhões", diz. Somados os dois valores, o IED representa um quarto do capital estrangeiro que entrou no Brasil em setembro.

Apesar do resultado preocupante, Lavieri afirma que o País ainda não vive um problema de solvência em suas contas externas. Ele argumenta que as reservas cambiais ainda colocam o Brasil numa situação confortável. "O BC ainda tem muita reserva cambial, o que reduz a probabilidade de uma saída de capital", afirma.

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