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Setor busca mostrar viabilidade ao consumidor

O investimento em soluções para geração de energia eólica e solar pode dar retorno em até oito anos, com equipamentos que duram até 25. Há soluções viáveis para consumidores com conta mensal a partir de R$ 250

07:31 | 30/10/2014

Apesar do grande potencial eólico e solar, ainda é pouco explorado no Brasil o uso dessas fontes para a micro e minigeração de energia elétrica. Um dos desafios, segundo especialistas, é convencer o consumidor residencial e comercial que vale a pena investir na produção de energia limpa, mesmo que o consumo mensal não seja elevado. Enquanto em países da Europa, o retorno do valor investido em painéis solares e geradores eólicos chega depois de nove ou dez anos de uso, no Brasil esse tempo é de até oito anos.

 O retorno está associado basicamente à disponibilidade do recurso natural, ao tipo de solução (solar, eólica ou mista), e ao custo do financiamento para o investimento. “Em média, os nossos clientes obtém retorno entre sete e oito anos, para um equipamento que dura de 20 a 25 anos”, diz Fernando Pessoa, diretor técnico da empresa B&Q Renováveis, especializada na instalação de sistemas solares e eólicos. “Hoje, o cliente residencial ou comercial de energia de baixa tensão paga à concessionária R$ 0,52 o KWh, em média. E com uma solução eólica ou solar, o KWh pode chegar a R$ 0,19.”

 O diretor setorial de Micro e Minigeração do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Ceará (Sindienergia), Wilmar Pereira, acredita que um dos obstáculos para a popularização da mini e microgeração no País é cultural. “Apesar do investimento em micro e mini ainda ser pequeno, o Ceará tem a vantagem de as pessoas conhecerem a energia eólica há algum tempo, com as usinas. Acredito que a Alemanha, que tem 1,5 milhão de produtores independentes, seja um exemplo para nós”, disse durante o I Seminário sobre Micro e Minigeração Distribuída, realizado até ontem na Federação das Indúst6rias do Estado do Ceará (Fiec). “Com esse evento queremos mostrar que o futuro é esse”.

 Segundo Fernando Pessoa, uma solução em energia solar, com custo de cerca de R$ 13 mil, pode ser viável para consumidores residenciais cuja conta mensal seja de R$ 250. E para empresas, Pessoa destaca que o fato de utilizar soluções limpas, além da economia acaba agregando valor à marca da empresa, que associa sua imagem à sustentabilidade. Ele diz que a maioria dos seus clientes, tem até 100KW de capacidade instalada, sendo na maioria residências e comercio que utilizam essas soluções como geração complementar. Considera-se microgeração, a produção de até 100KW de potência. E minigeração, de 100KW a 1MW.

 A expectativa do setor é de que o aprimoramento da Resolução Normativa nº 482/2012 gere o aumento da geração própria no País. A resolução, que trata das regras destinadas para a instalação de geração distribuída, determina que além de produzir energia elétrica, o consumidor que estiver conectado à rede de distribuição possa obter descontos em sua conta de energia ou até zerá-la, por meio da compensação da produção excedente.

 Gargalos

 Além da falta de conhecimento do consumidor sobre mini e microgeração, faltam linhas de crédito para quem quer instalar esses equipamentos. “Temos carência de apoio do governo. Mas estamos iniciando as conversas com alguns parlamentares”, disse Wilmar Pereira. “Já temos linhas de crédito para pessoa jurídica, mas para pessoas físicas ainda estamos descobertos. Acreditamos que isso mude já em 2015.” Segundo Pessoa, outro obstáculo é a carga tributária sobre a geração de energia, principalmente, o ICMS.

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