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REP se ajusta para crescer no setor de shopping centers

18:10 | 12/10/2014
A Real Estate Partners (REP) realizará investimentos de aproximadamente R$ 150 milhões em 2014, montante que tende a ser superado em 2015, segundo afirmou o presidente, Thiago Lima, em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Há dois anos envolvida em um processo de arrumação da casa, a REP completou a maior parte de suas iniciativas para crescer e angariar novas chances de negócios no setor de shopping centers.

A companhia pertence à incorporadora PDG Realty (60%) e à LDI (40%), holding dona das construtoras Lindencorp e Adolpho Lindenberg. Desde 2012, quando a PDG assumiu o controle, a REP vem passando por uma remodelação baseada no ajuste do foco das operações e na reestruturação do capital. "O objetivo é preparar a empresa para surfar nas oportunidades que acreditamos que vão aparecer no mercado", afirmou Lima, citando desde crescimento orgânico até eventuais chances de aquisições e fusões no médio prazo.

A nova gestão encabeçada desde 2013 por Lima, ex-diretor de desenvolvimento da BrMalls, implantou internamente a cultura da meritocracia, reduziu o tamanho da diretoria e revisou processos para aumentar a eficiência operacional. Os negócios, antes voltados para diferentes ramos de propriedades comerciais, passaram a ser concentradas no desenvolvimento e administração de shoppings de porte médio (com área bruta locável - ABL entre 10 mil m² e 30 mil m²) e os strip malls, também conhecidos como centros de conveniência.

Hoje, a REP é proprietária e/ou detém a administração de seis shoppings e 18 strip malls, totalizando 24 operações, das quais 22 localizadas no Estado de São Paulo. O ativo mais novo é o Shopping Botucatu, inaugurado em maio. O foco da REP no curto prazo são as oportunidades de negócios no Sudeste, prioritariamente em São Paulo. Já no médio prazo, a diretoria vislumbra opções no Nordeste.

Lima explicou que a postura neste momento é de cautela, tendo em vista o cenário de baixo crescimento da economia brasileira e o excesso de shoppings inaugurados recentemente. Por isso, a REP vai priorizar investimentos para a expansão das unidades que já estão em funcionamento em vez da construção de novos projetos a partir do zero.

"Tem muita vacância nos shoppings do interior do País. A REP decidiu que o momento é de fechar a cortina e olhar para dentro", disse o executivo. A empresa vai anunciar ainda neste ano a expansão dos shoppings de Hortolândia e Mogi Guaçu. Cada um terá a ABL aumentada em cerca de 5 mil m² a 7 mil m².

Além disso, a REP comprou neste ano por R$ 30 milhões a fatia que lhe garantiu 100% de participação no Shopping Valinhos. A companhia ainda desembolsará R$ 25 milhões nessa unidade e R$ 25 milhões no Bay Market, localizado em Niterói, para projetos de modernização que serão concluídos em maio do ano que vem.

A vacância na REP é de 7%, considerado por Lima um bom nível, pois o portfólio é jovem e ainda não atingiu a maturidade em termos de ocupação, visitação e vendas.

Em paralelo ao ajuste nas operações, a REP colocou em prática um plano de reestruturação do capital. O executivo explicou que a companhia ainda tem condições se alavancar. Em agosto, foi realizada uma operação de securitização de R$ 70 milhões com o banco Votorantim, sendo que ativos próprios foram dados como lastro. Outras operações como essa são cogitadas, segundo o presidente.

A reestruturação envolveu ainda o cancelamento de projetos e a venda de terrenos. Lima disse que a REP tem potencial para venda de mais R$ 150 milhões em terrenos, sem contar possíveis negociações de fatia nos seus shoppings, o que lhe dá tranquilidade para a composição do funding para os investimentos. "Não temos apego aos ativos. Podemos vender", disse, ressaltando que o foco está na reestruturação do capital.circe.bonatelli@estadao.com)

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