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Preços dos alimentos sobem na África com surto de ebola

10:10 | 10/10/2014
Os preços dos alimentos estão subindo na África, desafiando uma tendência global, à medida que a epidemia de ebola e outros problemas impulsionam o custo de itens básicos para os maiores níveis em cinco anos. Como resultado, milhões de africanos estão lutando para se alimentar, o que desperta preocupações com desnutrição e turbulência social.

Em 2011, moradores de grandes cidades africanas protestaram contra as altas de até um terço nos preços de alguns grãos, em meio ao aumento dos valores dos combustíveis. Este ano, os preços de milho, arroz e feijão subiram mais de 20% desde a África Ocidental, que enfrenta um surto de Ebola, até a África do Sul.

A desvalorização de várias moedas africanas ante o dólar norte-americano está exacerbando a alta, disse Jack Allen, da Capital Economics. "Mesmo que as moedas locais não continuem caindo, a inflação relacionada aos preços de importação deve se manter elevada por algum tempo", afirmou.

No nordeste do Uganda, área produtora de milho, feijão e amendoim, o Programa Mundial de Alimentos destacou que três anos consecutivos de chuvas abaixo da média têm abalado a segurança do acesso aos alimentos. Um cinturão de países áridos desde a Nigéria até o Quênia está enfrentando problemas semelhantes, exacerbados por ataques de grupos militantes que fizeram agricultores abandonar lavouras.

Embora mais da metade dos africanos trabalhe no campo, muitos países do continente são importadores líquidos de alimentos básicos, como arroz e milho, deixando os cidadãos vulneráveis quando os preços sobem ou as moedas locais enfraquecem.

Fora da África, os custos dos alimentos estão caindo. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) disse que o índice de preços globais de alimentos atingiu o menor nível em quatro anos. A ampla oferta de Brasil, Índia e Tailândia reduziu os preços globais de trigo, arroz e milho. A ONU espera que os estoques globais desses cereais alcancem o maior nível em 15 anos em 2014. Mas os conflitos, doenças e portos e estradas obstruídos estão conspirando para manter essa tendência distante da África.

O pior surto de ebola na história é a maior de todas as pressões. Nas ruas de Guiné, Libéria e Serra Leoa, "os mercados estão fechados e muitas pessoas estão sem acesso" à comida que necessitam para sobreviver", disse Frances Kennedy, porta-voz do Programa Mundial de Alimentos para os países atingidos pelo Ebola. "A população está em perigo."

A ONU afirmou que cerca de 20 milhões de pessoas na África Central e Oriental estão agora enfrentando escassez de alimentos este ano, com conflitos e condições climáticas adversas prejudicando a agricultura e colheitas, contra 15 milhões de pessoas em 2013. Nos três países africanos afetados pela doença, 60% da população está enfrentando uma crise de alimentos, conforme a Agência dos Estados para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Fonte: Dow Jones Newswires.

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