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Pimco faz apostas no Brasil com base em fundamentos

13:20 | 21/10/2014
Em meio a uma corrida presidencial "inacreditavelmente difícil" de prever quem sairá vencedor, a Pimco, maior gestora de bônus do mundo, com US$ 1,9 trilhão em ativos, está fazendo apostas no Brasil com base em análises de fundamentos e no valor relativo dos ativos financeiros e não em quem vai ganhar as eleições, afirma o chefe da empresa para mercados emergentes, Michael Gomez, em uma análise sobre o País. Independente de quem vença a disputa no domingo, a Pimco espera que o próximo presidente do Brasil faça mudanças importantes na política econômica e adote um melhor conjunto de políticas monetária e fiscal.

"O mercado está prestando forte atenção nas eleições brasileiras, porque elas podem desencadear uma reestruturação do conjunto de políticas econômicas do País", afirma Gomez, ressaltando que o caminho que será seguido pelo novo presidente e o ritmo que virão as mudança só devem ficar mais claros após o encerramento do segundo turno.

A economia brasileira tem enfrentado desaceleração do crescimento e inflação persistentemente alta, afirma o gestor da Pimco. Apesar da fraca atividade econômica, ele pondera que o Banco Central, ao elevar os juros, não está conseguindo trazer a inflação para a meta. "Parte do problema é uma assimetria na política macroeconômica do Brasil", afirma Gomez.

Enquanto a política monetária está muito apertada, a política fiscal está muito relaxada, sobretudo por conta dos empréstimos dos governos para os bancos públicos para estimular o crédito, avalia Gomez. Nesse cenário, os juros básicos precisam subir para níveis mais altos do que seriam necessários se a política fiscal fosse mais controlada. "Como reflexo, o Brasil tem uma das taxas de juros mais altas do mundo, real e nominal, o que também é uma oportunidade para os investidores. Continuamos a ver valor relativo no Brasil versus outros mercados emergentes", afirma o gestor. Por isso, a Pimco está com a aposta "overweight" no país, ou seja, espera desempenho acima da média do mercado.

Reformas

As eleições no Brasil no domingo ocorrem no final de um calendário eleitoral particularmente cheio nos países emergentes em 2014. No total, 43 destes mercados tiveram eleições presidenciais e/ou parlamentares neste ano, o equivalente a mais de um terço da população mundial, de acordo com a Pimco.

"Historicamente, as eleições têm sido associadas a períodos de volatilidade nos países emergentes", afirma o diretor da gestora, ressaltando que este ano, até agora, os vencedores sinalizaram mudanças na economia favoráveis aos mercados, como é o caso da Índia. Assim, 2015 se desenha como um ano que pode ser marcado por reformas estruturais nos países emergentes.

Além disso, o ano que vem promete ser cheio de desafio para os países emergentes, afirma Gomez, citando que a previsão é de um ambiente macroeconômico menos favorável. Uma das principais razões é que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deve elevar os juros nos Estados Unidos, com o dólar provavelmente ficando mais forte em relação às principais moedas dos países desenvolvidos e dos emergentes.

"A estrada à frente pode ser sinuosa para os emergentes, na medida em que o crescimento se desacelera na China e o Federal Reserve normaliza a política monetária nos EUA." Nesse cenário, a Pimco tem ajustado suas posições com base em análises mais específicas de países, destaca Gomez.

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