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Fundos locais montaram portfólios mais arriscados

18:10 | 05/10/2014
Os gestores de fundos nacionais abraçaram a especulação motivada por pesquisas eleitorais e montaram portfólios mais arriscados, para ganhar com o rali eleitoral, concluiu um estudo da consultoria Risk Office compilado a pedido do Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. A pesquisa mostrou uma mudança na estratégia dos fundos em meados de julho, quando os três papéis com maior alocação - BB Seguridade, Cielo e Itaúsa, vistos como defensivos - foram substituídos por Petrobras, Bradesco e Itaú Unibanco.

Outra conclusão do estudo é que, durante o rali eleitoral, os fundos da categoria long and short, que apostam na alta de um ativo e, simultaneamente, na queda de outro, passaram a comprar papéis da Petrobras e vender a descoberto os da Vale, que têm sofrido neste ano com a trajetória de queda do preço do minério de ferro.

"As ações da Vale apareceram entre os três papéis mais 'shorteados' (aposta na queda) dos fundos long and short após o falecimento do Eduardo Campos (então candidato à Presidência da República pelo PSB)", nota Alberto Jacobsen, CEO da Risk Office. Petrobras já figurava na ponta compradora desde julho.

A estratégia de apostar nos ganhos com a volatilidade causada pelo cenário eleitoral fica evidente também por meio de outro ponto levantado no estudo: a correlação com o Índice Bovespa dos fundos da categoria Ações Livre, que não possuem o Ibovespa como referência, aumentou 12% desde o fim do ano passado.

"Observamos uma mudança de comportamento nas carteiras de fundos nacionais. Houve uma migração de papéis defensivos para agressivos, com maior beta (correlação com o Ibovespa)", diz Jacobsen.

Nem mesmo os fundos que têm o compromisso de ter rentabilidade igual ou melhor que a do Índice Bovespa acreditavam na valorização das ações das estatais no início do ano. Isso fica claro quando se observa que o "tracking error" desses fundos era de 11% na época. Agora, é de 3%. O "tracking error" mede a aderência de um portfólio ao seu referencial, no caso, o Ibovespa. Quanto aos fundos ações livres, o "tracking error" era de 12% no início do ano e agora está em 9%.

"A principal conclusão do estudo é que, a partir de julho, os gestores começaram a se posicionar de forma agressiva para ganhar com o rali eleitoral, o que coincidiu inclusive com a maior valorização dos papéis das estatais", diz Jacobsen.

O estudo contou com 41 fundos da categoria Bolsa Ativo, com patrimônio de R$ 5,26 bilhões, e outros 45 fundos do tipo Ações Livre, com patrimônio de cerca de R$ 10 bilhões.

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