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Eleições ajudam a elevar confiança da indústria, diz FGV

12:50 | 23/10/2014
A alta de 1,8% na prévia da confiança da indústria de outubro foi totalmente influenciada pela avaliação sobre a tendência de negócios para os próximos seis meses - um indicador mais ligado ao "sentimento" dos empresários do que propriamente a uma estatística ou um quesito objetivo, notou o superintendente-adjunto de Ciclos Econômicos da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloisio Campelo. "O encaminhamento das eleições e da definição de uma política econômica ajudam a explicar isso", disse.

Ainda assim, o resultado não recupera a queda de 18,8% já acumulada entre janeiro e setembro. O indicador saiu de 99,9 pontos em janeiro para 81,1 pontos em setembro, em trajetória contínua de queda. Com o dado preliminar de outubro, ele volta para 82,6 pontos.

Até agora, a melhora se deu porque os empresários têm adotado uma visão mais neutra sobre o futuro dos negócios. "Eles estão ficando menos pessimistas, e isso já é um bom sinal", observou Campelo. Segundo ele, isso pode ajudar no sentido de favorecer decisões menos agressivas em termos de corte de pessoal ocupado ou suspensão de investimentos. No agregado, o Índice de Expectativas (IE) melhorou 5,7% na prévia.

Já a expectativa de produção continuou caindo, enquanto o emprego previsto subiu levemente - no dado preliminar, os números exatos dos indicadores que compõem a confiança da indústria não são divulgados. "Ainda assim, o emprego previsto está pelo sexto mês seguido abaixo dos 100 pontos, o que significa que há mais empresas prevendo fechamento de postos", explicou o superintendente.

Outro ponto que melhorou em outubro foi a percepção da demanda externa no futuro. Campelo aposta que a alta do dólar esteja entusiasmando os empresários, uma vez que o câmbio torna os produtos brasileiros mais competitivos no exterior.

Na situação atual, porém, o quadro não mudou. O Índice de Situação Atual (ISA) caiu 2,1% na prévia divulgada nesta quinta. "Não há sinal de que ambiente da indústria melhorou em outubro, pelo contrário. Entramos o quarto trimestre com estoques em alta", observou o superintendente.

Com produtos encalhados, as indústrias possivelmente frearam a produção em outubro, o que explicaria a queda de 0,8 ponto porcentual no Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), segundo a prévia. O Nuci ficou em 82,2%. "Nessa virada de setembro para outubro, o nível de utilização da indústria mostra que empresas estão realmente incomodadas com o nível de estoques", disse Campelo.

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