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Demanda doméstica fraca afeta resultado de siderúrgicas

08:50 | 25/10/2014
O momento ruim vivido pela indústria siderúrgica, principalmente diante da fraca demanda do mercado doméstico, marcará o resultado das usinas no terceiro trimestre do ano, com as margens de rentabilidade voltando a ficar pressionadas. Uma redução dos preços do aço, fator que acrescentaria mais um peso ao setor, não está descartada, diante da forte queda dos preços do mineiro de ferro.

Uma amostra clara da dificuldade do setor será o retorno da Usiminas ao prejuízo, um ano depois de ter conseguido voltar ao lucro. A média das projeções de sete instituições financeiras consultadas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado (Ágora, BTG Pactual, Citi, Goldman Sachs, Itaú BBA, Morgan Stanley e Santander), aponta para um prejuízo líquido de R$ 50,4 milhões de julho a setembro deste ano, ante lucro de R$ 70,5 milhões um ano antes e de R$ 114,4 milhões no intervalo imediatamente anterior, considerando, em ambos, o lucro atribuído aos acionistas, que é aquele utilizado para o cálculo dos dividendos.

A siderúrgica mineira também deverá observar seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cair para R$ 414 milhões, recuo de 22% na relação trimestral e de 23% na anual. Já a receita líquida deverá ficar em R$ 2,957 bilhões conforme as estimativas, recuo de 8% ante o trimestre imediatamente anterior e de 5% em 12 meses.

"Do lado positivo para o trimestre, a Usiminas provavelmente irá continuar vendendo seu excesso de energia e deverá apresentar menor custo por tonelada de aço por conta da queda dos preços das matérias-primas", diz relatório do Itaú BBA.

Com a queda da demanda no Brasil, as siderúrgicas ampliaram as exportações, para evitar aumento de estoques, mas enfrentando como contrapartida uma rentabilidade mais baixa das vendas.

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), além de ter seus números do trimestre afetados pelo mix de vendas mais fracos, também terá contra seu desempenho a forte queda dos preços do minério de ferro. O Ebitda no trimestre deverá somar R$ 1,168 bilhão, recuo de 29% em relação ao mesmo trimestre de 2013.

Ante o período imediatamente anterior, o recuo esperado é de 10%, segundo a média das estimativas de seis casas (BTG Pactual, Citi, Goldman Sachs, Itaú BBA, Morgan Stanley e Santander). A receita líquida está sendo projetada em R$ 3,971 bilhões, queda de 15% na relação anual e de 2% na trimestral. Para o lucro, no entanto, não há consenso entre as projeções, indo de prejuízo de R$ 262 milhões a lucro de R$ 212 milhões.

Entre as siderúrgicas de capital aberto, a Gerdau é a mais bem posicionada, apontam analistas, devido à diversificação regional. Um dos pontos que ajudarão a companhia a mitigar a piora no Brasil será a divisão dos Estados Unidos, que deverá apresentar resultados mais fortes. O Citi, por exemplo, projeta que a margem dessa divisão deverá subir para 9%, diante do melhor spread do metal. Das três, a siderúrgica gaúcha deverá ser a única a apresentar algum crescimento de seu Ebitda e receita líquida no terceiro trimestre em relação ao período imediatamente anterior. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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