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Fipe mantém projeção para o IPC de setembro em 0,22%

14:20 | 25/09/2014
O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), André Chagas, manteve nesta quinta-feira, 25, a previsão para a taxa de inflação de setembro na capital paulista em 0,22%. Foi a terceira semana consecutiva de estimativa inalterada para o indicador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Se a taxa for confirmada, o IPC de setembro será menor do que o de 0,34% de agosto de 2014 e ficará pouco abaixo da taxa de 0,25% de setembro de 2013.

A manutenção da expectativa da Fipe aconteceu mesmo após o IPC da terceira quadrissemana do mês, anunciado hoje, ter ficado abaixo do nível de 0,20% e muito mais próximo da marca de 0,10%. Segundo o instituto, a inflação no período foi de 0,11%, o que representou uma desaceleração de 0,06 ponto porcentual ante a segunda leitura de setembro, quando a taxa foi de 0,17%.

Ao Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, André Chagas justificou a projeção inalterada com um cenário de alívio menor para a inflação que deve ser visto na última semana do mês. Com isso, a taxa tende a acelerar em relação à terceira medição. "Todos os efeitos deflacionários devem perder a força na última quadrissemana", comentou, não descartando, entretanto, eventuais surpresas, como as que costumam ser proporcionadas pelos preços dos alimentos in natura/i>.

Especificamente na terceira quadrissemana de setembro foi mantido o quadro atual da Habitação e da Alimentação como os atores principais da inflação, mas com os papéis trocados em relação a agosto, quando o primeiro pressionava o IPC para cima e o segundo aliviava o índice. Na terceira quadrissemana de setembro, o grupo Habitação caiu 0,17%, ante elevação de 0,26% da segunda leitura do mês. A Alimentação, por sua vez, avançou 0,35%, bem mais do que a variação positiva de 0,09% da medição imediatamente anterior.

Na Habitação, somada a um alívio vindo da baixa na conta de telefone fixo, a pressão de alta que o reajuste de energia elétrica da Eletropaulo gerou no IPC de agosto está diminuindo intensamente. Quanto à Alimentação, o quadro de deflação de junho, julho e agosto não existe mais e o cenário só não é de aumentos maiores porque os itens in natura estão em queda, aliviando um pouco o impacto das carnes bovinas, as maiores vilãs da atualidade.

Dentro do grupo Habitação, o item energia elétrica ainda permaneceu liderando o ranking de pressões de alta do IPC, mas novamente com uma variação menos intensa. Apresentou aumento de 4,04%, ante elevação de 7,55% da segunda quadrissemana, e respondeu por um impacto de 0,15 ponto porcentual no IPC. A conta de telefone fixo, por sua vez, apresentou recuo de 9,19%, contra queda anterior de 8,59%, e gerou alívio de 0,27 ponto porcentual para a inflação geral.

Na Alimentação, as carnes bovinas tiveram alta de 2,23%, ante variação positiva de 2,15% da segunda leitura do mês, e foram determinantes para o avanço do subgrupo Semielaborados aumentar, de 2,00% para 2,56%. Destaque também para a queda menor do subgrupo Industrializados, de 0,08%, ante recuo de 0,23% da segunda quadrissemana.

Quanto aos Produtos In Natura, o subgrupo mostrou declínio de 2,65%, contra variação negativa anterior de 2,92%, e teve na batata (baixa de 16,60%) e no tomate (queda de 16,28%) os principais agentes de deflação.

Para André Chagas, a grande diferença esperada para o IPC no fim de setembro é que a conta de telefone não deve ajudar do mesmo jeito que beneficiou a inflação na terceira quadrissemana, pois atingiu o limite de alívio. Mais do que isso, a Alimentação tende a trazer um avanço mais expressivo: de 0,65%, conforme projeção atualizada pela Fipe.

A despeito da aceleração prevista para o IPC no encerramento de setembro, Chagas voltou a avaliar o quando atual da inflação em São Paulo como "algo bastante comportado" e em sintonia com o cenário de economia fraca do País. "Fechar o mês com uma taxa em torno de 0,20% é um nível muito baixo, mesmo se for considerada a sazonalidade de setembro", comentou. "O ambiente é de inflação contida, em parte pela retenção dos administrados e, no que se refere aos preços livres, é consequência do estado geral da economia, de demanda fraca reagindo à política monetária, mercado de trabalho estagnado, salários reais parados, crédito parado e inadimplência com possibilidade de alta", explicou, lembrando também do estado atual, classificado pelos economistas, como de "recessão técnica".

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