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Fipe: Habitação ajudou na variação de +0,16% no IPC

13:50 | 05/08/2014
A aceleração do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em julho, para 0,16%, ante 0,04% em junho, ainda mostra que a inflação está bastante contida, avaliou nesta terça-feira, 5, o coordenador do indicador, o economista André Chagas, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em entrevista à imprensa. Segundo ele, o resultado do IPC entre um mês e outro "não é exorbitante" e foi influenciado principalmente por dois fatores: elevação na taxa do grupo Habitação (de 0,28% para 0,45%) e deflação maior do conjunto de preços de Alimentação (de -0,37% para -0,58%). "Em parte, a alta em Habitação foi compensada pela queda em Alimentação", explicou ele, que aguardava uma baixa menos intensa do conjunto de preços de alimentos em julho, de 0,50%. Para o IPC, esperava 0,18%.

"Se não tivesse o efeito do reajuste de energia elétrica e todos os preços tivessem se comportado exatamente como vieram, o IPC seria muito parecido com o de junho (0,04%). Energia elétrica teve participação fundamental este mês", afirmou Chagas.

Dados da Fipe mostram que desde fevereiro de 2012 o grupo Alimentação não apresentava uma queda tão expressiva. Naquela ocasião, esta classe de despesa registrou recuo de 0,98%, enquanto o IPC fora negativo em 0,07%.

De acordo com Chagas, apesar de a queda de 4,43% dos itens in natura ter ficado abaixo do esperado, todos os subgrupos ajudaram a empurrar o conjunto de preços de Alimentação para o campo negativo. "Eram os que mais estavam contribuindo para desacelerar a inflação, embora ainda estejam ajudando. Vários produtos estão perdendo toda a gordura acumulada em 12 meses e ano. Já não tem tanto espaço para cair", disse, citando como exemplo a taxa negativa de 15,99% do tomate e de -25,33% da batata. Enquanto o tomate tem alta acumulada de 4,78% este ano, a batata tem queda acumulada de 1,97% no mesmo período.

O coordenador do IPC disse que os alimentos industrializados, que subiram 1,18% em junho, desaceleraram para 0,39% no sétimo mês do ano, puxados pelos derivados de carnes, com destaque para quedas fortes em torno de 2,00% de produtos como empanados de frango.

Já os semielaborados aceleraram a queda, de 0,15% para 0,61%, influenciados principalmente pelos preços mais em conta das carnes bovinas. Este item registrou recuo de 1,09% em julho, enquanto aves tiveram baixa de 1,97% e o feijão cedeu 5,40%. "Isso justifica a deflação", afirmou.

Apesar de ocupar a quarta posição na lista dos maiores pesos no IPC, o grupo Despesas Pessoais, com quase 12% de participação, subiu 1,03% em julho ante declínio de 0,12% em junho. Um dos motivos para a alta é a elevação de 2,15% em Recreação e Cultura, com avanço nos preços de passagem aérea, rodoviária e pacotes de viagem.

Embora a participação do grupo Educação seja a menor no IPC, de 3,68%, esta classe de despesa chamou a atenção de Chagas, ao sair de uma alta de 0,03% em junho para 0,34% no mês passado, por causa do aumento de 0,73% no item ensino superior. "Alguns cursos que não foram reajustados no começo do ano, sofreram aumento agora", explicou.

O grupo Saúde também acelerou de um mês para outro, de 0,27% para 0,58%. A alta, contou Chagas, foi motivada pelo aumento (de 0,98%) de contratos de assistência médica. Já a classe de despesa de Transportes ficou com elevação de 0,04%, ante recuo de 0,03%. Já Vestuário caiu 0,57%, após elevação de 0,63% em junho.

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