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Desinvestimento no exterior preocupa, avalia economista

17:20 | 17/08/2014
Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, José Rubens de la Rosa, Coordenador do Fórum das Empresas Transnacionais da CNI e CEO da Marcopolo, avaliou o posicionamento das empresas brasileiras no exterior. Para ele, é preocupante os desinvestimentos dos últimos anos. O sistema de tributação para operações que ocorrem fora do País é apontado por ele como um grave problema.

O que pesa mais na decisão de remeter lucros para o Brasil: a adversidade do cenário mundial ou incertezas domésticas?

Cada empresa tem sua estratégia, é difícil falar de forma geral. Isso pode representar um movimento positivo ou negativo. Ou os dois. Não se pode afirmar com tanta segurança.

Por que positivo?

Porque pode representar um reinvestimento dos lucros obtidos no exterior na própria atividade produtiva feita fora do país. O maior retorno dos investimentos e a melhora no cenário externo podem estimular a ampliação das plantas produtivas, que gera efeitos econômicos positivos na matriz no Brasil.

E o que seria o negativo?

Se esse retorno baixo dos lucros estiver refletindo a própria queda dos investimentos brasileiros no exterior. Ou seja, menos lucros entram porque menos investimento tem sido realizado. O Brasil tem encolhido sua participação nos fluxos de investimentos no exterior. Isso é preocupante. Pelos impactos positivos que a atividade de investir fora traz às empresas e ao país, esse movimento de queda precisa ser revertido.

Existe algum incentivo à internacionalização de empresas brasileiras?

Apesar de iniciativas pontuais favoráveis aos investimentos no exterior, como linhas de financiamento do BNDES, falta ao Brasil um conjunto coerente de políticas que contribua para um ambiente capaz de permitir às empresas investir no exterior em igualdade de condições com competidores de outros países. O modelo de tributação dos lucros das empresas brasileiras no exterior, por exemplo, onera a internacionalização. Além disso, o modelo brasileiro de tratados para evitar a dupla tributação desestimulam a assinatura desses acordos e reduzem seus potenciais benefícios para as empresas brasileiras e para a economia brasileira. É preciso assinar mais desses acordos de dupla tributação, principalmente com parceiros importantes como Estados Unidos, Alemanha e Colômbia. Somos um ator pequeno em termos de investimentos no exterior e, pior, tem havido queda nos investimentos de empresas brasileiras lá fora, na contramão do que se observa entre as maiores economias emergentes, como China e Rússia. Economias menores, como Chile e México, também investem mais fora do que o Brasil.

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