Fator: desaceleração chega ao mercado de trabalho
"Sem a abertura dos dados, o que posso falar por enquanto é isso. Gosto de ver a abertura porque com ela é que podemos ver se a desaceleração no ritmo de criação de empregos se dá por paralisação das contratações ou por demissões" disse o economista.
Segundo Lima Gonçalves, o resultado do Caged em junho poderia ter sido pior se não fosse um mês sazonalmente favorável às contratações no segmento da agricultura. Segundo o MTE, no mês passado a agricultura criou 40.818 vagas; o setor de serviços, 31.143. Já a indústria da transformação fechou 28.553 vagas; a construção civil encerrou outros 12.401 postos e o comércio fechou 7.070 vagas.
"A geração de empregos na agricultura é sazonal, mas se compararmos com junho do ano passado, quando foram criados cerca de 59 mil vagas, vemos que a tendência é de desaceleração fraca do emprego", disse o economista.
O lado bom de o mercado de trabalho entrar em desaceleração, segundo o economista do Fator, é que as expectativas de inflação tendem a se acomodar. "O lado ruim é que, quando isso acontece, o mercado de trabalho confirma a queda da economia", disse Lima Gonçalves, que antes da divulgação dos números do Caged esperava que o PIB fosse encerrar esse ano com crescimento de apenas 0,8%.
O mercado de trabalho é sempre o segmento da economia a assimilar com maior morosidade os movimentos de melhora e piora da economia como um todo. Como os custos para contratação e demissão no Brasil são muito altos, as empresas demoram para abrir contratações quando a economia se aquece e demoram para demitir quando a economia entra em estágio de arrefecimento.
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