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Crise no setor sucroenergético impacta no sorgo sacarino

13:10 | 01/06/2014
O sorgo sacarino, planta que no início da década era festejada como complemento à cana-de-açúcar na produção de etanol e biomassa, perdeu espaço como fonte energética com a crise do setor sucroalcooleiro. A multinacional Monsanto, por meio do seu braço de bioenergia no País, a CanaVialis, chegou a ter 20 mil hectares de suas variedades de sorgo sacarino cultivadas, mas confirmou ter suspenso o projeto no País por conta da crise e decidiu focar apenas em cana, com novas variedades previstas. Por outro, lado, a Ceres Sementes do Brasil considera a crise como oportunidade de avanço no País.

Após os primeiros ensaios com o sorgo sacarino para a produção de etanol, a empresa americana com sede em Thousand Oaks (Califórnia) e unidade em Campinas (SP) espera iniciar, na próxima safra, o plantio de áreas comerciais de duas variedades híbridas próprias e ainda uma da Embrapa. "Após mais de 80 ensaios para avaliação, teremos uma ação comercial em no máximo três regiões do Centro-Sul. Ainda não temos grandes ambições em termos de volume, pois buscamos a excelência", disse à reportagem André Franco, gerente-geral da Ceres no Brasil.

O executivo avalia que "se o setor sucroenergético estivesse bem, as oportunidades seriam melhores, mas com a crise as empresas precisam buscar alternativas". Ele admite que, apesar da crise no setor, a frustração com os baixos volumes de etanol produzidos pelas variedades até então existentes de sorgo sacarino trouxeram impactos negativos para a cultura. "Houve uma expectativa gerada pelas empresas que não foi atendida pela baixa produção de etanol por hectare".

Cultivado nas áreas de reforma de canaviais e com um ciclo médio de 120 dias, o sorgo sacarino é colhido entre o período da entressafra e início da safra de cana-de-açúcar. Por ter um porte semelhante ao da cana, passa pelos mesmos processos de colheita mecanizada e processamento nas usinas e destilarias.

Biomassa

Enquanto o sorgo sacarino para etanol sofre com a crise do combustível, o sorgo de alta biomassa se beneficia de outra crise. Utilizado para a produção de energia elétrica nas usinas, o sorgo de alta biomassa avança em escala comercial na cogeração em térmicas que já processam o bagaço de cana. "Com o preço da energia acima dos R$ 200 mW/h (para energia contratada) e acima de R$ 600 no mercado spot, o sorgo foi uma alternativa para as usinas", afirmou Franco.

A colheita do sorgo de alta biomassa deve terminar até junho e, mesmo sem informar qual a área comercial, o gerente-geral da Ceres espera resultados "bastante positivos", principalmente pela resposta à forte estiagem que impactou também a cultura em 2014. "O sorgo já é conhecido por ser rústico e resistente e a resposta à seca foi boa", concluiu Franco.

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