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Comitê de investimentos do FI-FGTS tem nomeação política

09:20 | 05/06/2014
O comitê de investimento do FI-FGTS reúne membros indicados pelo governo, centrais sindicais e empregadores. Boa parte é ligada a partidos políticos ou aos deputados Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara, e André Vargas (sem partido-PR), investigado pela Polícia Federal por suposto envolvimento com o doleiro Alberto Youssef.

João Alberto Graça, que era representante do Ministério do Trabalho, pediu demissão na última sexta-feira, 30 de maio, depois que a revista Veja divulgou que ele visitava o doleiro Youssef. Graça foi indicado para o FI-FGTS pelo ministério, comandado pelo PDT, partido do atual ministro, Manoel Dias, e do ex-ministro Carlos Lupi, presidente da sigla. O ministério deve indicar José Ricardo da Silva, suplente dele e também nome do partido, para a vaga de titular.

Graça chegou a se candidatar para presidente do comitê de investimento. Ele era concorrente do vice-presidente da Caixa, Fábio Cleto, ligado a Eduardo Cunha, do PMDB. O governo impôs, porém, o nome do secretário adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo Henrique Oliveira, da cota do PT. O presidente tem o poder de colocar em pauta os projetos que serão julgados pelos demais membros.

Rebelião

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que Cleto chegou a deixar o conselho do FGTS (Codefat) para ter a oportunidade de ser presidente do FI-FGTS. Isso porque, pelas regras atuais, não é permitido ser membro dos dois conselhos ao mesmo tempo. O que pesou contra o vice-presidente da Caixa foi sua ligação com o deputado em um momento em que o PMDB se rebelou contra o Palácio do Planalto.

Os membros do comitê de investimento não recebem salário nessa função. Eles são responsáveis por decidir quais investimentos o fundo tem que fazer, depois de pareceres de outros comitês formados por técnicos da Caixa Econômica Federal, que administra o fundo.

Houve tentativa de alguns membros para que o comitê soubesse do interesse das empresas por recursos do fundo desde a sondagem inicial das companhias com a Caixa. Ainda vigora, porém, a decisão de apresentar projetos ao comitê de investimento, formado por integrantes de fora do banco, somente os casos nos quais a área técnica do banco visse condições de investir.

Os outros dois nomes indicado pelo governo são Mário José das Neves, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e Zarak de Oliveira Ferreira, do Ministério do Planejamento. Embora contados como cota do PT, ambos são considerados técnicos de alta qualidade dentro do fundo.

Da bancada dos trabalhadores, além de Emediato, representante da Força Sindical, sob o comando do Solidariedade, do deputado Paulinho da Força, os outros dois nomes são: Jacy Afonso de Melo, da CUT, um dos fundadores do PT, e Paulo César Rossi, da UGT, do PSD, de Kassab. Os titulares dos empregadores são Caio Mario Alvares, representante da Confederação Nacional do Transporte (CNT); Ralph Lima Terra, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e José de Paiva Ferreira, da Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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