PUBLICIDADE
Notícias

Bresser: depreciação cambial nao terá vez nas campanhas

11:15 | 17/06/2014
O economista e ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira voltou a defender a depreciação do câmbio como ferramenta para impulsionar a economia brasileira e disse que, dentre os pré-candidatos à Presidência da República, só a atual presidente Dilma Rousseff poderia tomar uma atitude "mais radical" nesse sentido. "Ela chegou a fazer uma depreciação de cerca de 20%, com muita coragem, mas teve de recuar", disse Bresser na noite de segunda-feira, na cidade de Porto Alegre, onde participou de palestra sobre os 20 anos do Plano Real.

Bresser Pereira sugeriu uma cotação do dólar de R$ 3,20 ou R$ 3,30 como competitiva para o Brasil. "É preciso ter acesso à demanda (internacional), e o que está acontecendo com os países em desenvolvimento, inclusive com o Brasil, é a falta de acesso a esta demanda", disse.

Embora aponte que Dilma seria a única a ter coragem de apreciar o câmbio de forma mais agressiva, Bresser Pereira pondera que a medida é difícil de ser implementada. "No começo do governo até pode ser, mas é muito complicado fazer isso", revelou.

De acordo com o ex-ministro, a sociedade brasileira não está madura para um debate sobre a depreciação do câmbio como motor de competitividade, que implicaria na diminuição de rendimento dos cidadãos e acarretaria problemas para as empresas endividadas. "Não vai haver discussão sobre isso na campanha eleitoral."

Para o economista, o pré-candidato Aécio Neves, do PSDB, não mexeria no câmbio "de jeito nenhum" por ter um perfil conservador, de direita e liberal. "E a assessoria do Eduardo Campos (PSB), que eu tenha conhecimento, é uma assessoria também liberal, com economistas que não vão tocar nesse assunto", falou.

Segundo Bresser-Pereira, há semelhanças entre as propostas de Aécio e de Campos na área econômica. "O que eles estão dizendo é que vão fazer ajuste fiscal. Acho que ajuste fiscal é sempre bom fazer um pouco, mas este definitivamente não é o problema principal do Brasil", avaliou.

TAGS