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Abit: confiança está em baixa entre industriais têxteis

19:00 | 30/06/2014
Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) com cerca de 800 empresários do setor identificou que a confiança está em baixa. Para 50% dos industriais ouvidos o mês de junho deverá registrar nível de produção abaixo do projetado. A expectativa de 40% dos empresários é que as vendas para os próximos 60 dias - julho e agosto - estarão em queda frente aos dois meses imediatamente anteriores; outros 40% dizem que o indicador se manterá no mesmo patamar.

Os dados são parte da primeira Pesquisa de Conjuntura Abit, que passará a ser divulgada mensalmente pela associação. "O objetivo é ter um termômetro qualitativo da expectativa do empresário. Na medida em que for se consolidando um histórico será uma ferramenta para nos ajudar a interpretar melhor as informações macroeconômicas de órgãos oficiais", diz o diretor superintendente da Abit, Fernando Pimentel. A meta é ampliar o universo da pesquisa, já que o setor abrange um universo de 30 mil empresas.

No início de junho a Abit informou que o freio nas encomendas do varejo levou a um recuo na produção têxtil em abril e maio, mesmo com a proximidade da Copa do Mundo. De acordo com a associação, historicamente as Copas incrementam a produção de têxteis (camisetas, toalhas, bonés, gorros etc. alusivos à seleção) em torno de 5% a 10%. A expectativa positiva para o evento, que levou à antecipação de encomendas de varejistas no início do ano, acabou frustrada pela queda da confiança do consumidor. O setor sofreu também com a concorrência dos importados, que se intensificou às vésperas do Mundial.

Segundo Pimentel, a percepção dos empresários dos setor sobre os indicadores de junho e dos próximos meses reflete o quadro da economia e dados como o ritmo de crescimento lento do varejo, ambiente de juros e inflação mais altos e incertezas advindas do período eleitoral. "O humor vem piorando ao longo de 2014", avalia Pimentel.

Realizada em meados de junho, a pesquisa também coletou dados sobre o desempenho do setor em maio. De acordo com 83% dos pesquisados a produção no mês passado ficou no nível (43%) ou abaixo (40%) do esperado. Outros 7% disseram que ela ficou muito abaixo da expectativa. Apenas 10% afirmaram que o indicador foi um pouco melhor. No que tange à produtividade, 47% acreditam que ela tenha ficado dentro do previsto. Já as vendas ficaram aquém do projetado segundo 37%.

Pelo levantamento, o nível de estoques em maio ficou dentro (31%) ou abaixo (27%) do esperado na análise da maior parte dos empresários ouvidos. Um porcentual relevante (42%) de respondentes considerou que os estoques ficaram pouco ou muito acima do desejável. "Isso mostra que haverá uma necessidade de elevar vendas ou de ajuste na produção que poderá se refletir em emprego ou antecipação de paradas para manutenção", diz Pimentel.

Apesar disso, mais da metade (53%) dos empresários manteve em maio as expectativas de investimento dentro do esperado. Só 7% devem investir acima do previsto. Do lado pessimista, 30% veem o nível de inversões como abaixo do previsto e 10% muito abaixo. No que se refere ao nível de emprego, a grande maioria (73%) dos respondentes tem uma visão positiva. Para 20%, entretanto, um quadro mais favorável poderia gerar novas contratações.

O grupo entrevistado é composto por industriais das áreas de fiação (20%), tecelagem (30%), malharia (7%), beneficiamento (14%), fabricantes de vestuário (13%), meias e acessórios (3%), outros itens (3%), além de comerciantes de produtos têxteis e de confecção (10%).

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