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LCA: IPCA tem de ficar em 0,43% de maio a dezembro

20:30 | 09/05/2014
Para que a inflação encerre o ano sem estourar o teto da meta de 6,50%, a taxa média mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio a dezembro teria que ficar, no máximo, em 0,43%, segundo o economista da LCA Consultores Fábio Romão. Ele mesmo trabalha com uma inflação média mensal de 0,42% de maio até a dezembro, o que levará o IPCA encerrar o ano em 6,40%.

De acordo com Romão, a inflação ainda se mostra muito pressionada, mesmo com os aumentos da taxa básica de juros (Selic) promovidos pelo Banco Central (BC) de abril do ano passado até agora porque boa parte dos efeitos deste ciclo de aumentos foi mitigada pela estiagem.

Mas como no Brasil os efeitos do aumento da taxa nominal de juros costumam demorar de 6 a 9 meses para chegarem à economia, ainda há, de acordo com o economista, um estoque de impactos do aumento da Selic para se materializar via redução da inflação.

"Além da estiagem, estamos vivendo um cenário de baixo desemprego que acabou contribuindo para a manutenção do ganho real de renda", disse Romão. Em 2012 o ganho real médio de renda foi de 4,1%. Desacelerou para 1,8% na primeira metade de 2013, mas entre o segundo semestre do ano passado e o começo de 2014 a renda retomou o crescimento.

"Em março, comparativamente ao mesmo período do ano passado, o crescimento médio da renda real está nas cercanias dos 3%", disse o economista da LCA, acrescentando que de novembro do ano passado até março a renda real cresceu à razão de 3% mensalmente em termos interanuais.

A inflação de serviços no âmbito do IPCA, um bom termômetro do efeito renda, chegou em abril acumulando em 12 meses alta de 9%. No ano passado, na mesma base de comparação era 8,70% e encerrou o ano em 8,20%.

A "boa notícia", segundo Romão, é que a inflação com empregados domésticos desacelerou de uma alta de 1,28% em março para 0,58% em abril, segundo o IPCA divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo "Outros Serviços Pessoais", uma agregação feita pela LCA Consultores que inclui cabeleireiros, manicures, depilação, costureiras e serviços bancários e que que havia subido 0,90% em março, em abril subiu apenas 0,14%. "Isso é um indicador que reforça a tese de que boa parte da renda do trabalhador está comprometida com pagamento de dívidas. Com isso, a confiança é afetada e o consumidor diminui a frequência de consumo destes serviços", comentou Romão.

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