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IPA foi surpresa no IGP-DI de abril, diz a Tendências

10:20 | 07/05/2014
A queda nos preços industriais no atacado, puxada pela valorização do real ante o dólar nas últimas semanas, foi a surpresa no resultado de abril do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), avaliou a economista Adriana Molinari, da Tendências Consultoria. O IPA industrial registrou recuo de 0,14%, contra avanço de 0,56% em março. Já o IGP-DI subiu 0,45% em abril, contra 1,48% no mês anterior.

"A surpresa foi o IPA industrial, mostrando o impacto da recente apreciação do real nos preços industriais. Isso acabou influenciando o índice, ajudado por quedas maiores no farelo de soja e no minério de ferro", lembrou a economista, que previa elevação de 0,58% para o IGP-DI de abril.

Por outro lado, a desaceleração no IPA agropecuário (de 5,58% para 1,30%) veio menor do que o esperado, observou Adriana. O alívio nos preços, segundo ela, ficou concentrado em itens como a cana-de-açúcar e os bovinos. "A expectativa é de que os in natura mostrem queda maior nos próximos meses. Também devemos ter maior desaceleração dos bovinos", disse a economista, ressaltando que, com a aproximação do período de entressafra para o gado, dificilmente a perda de força se transformará em queda de preços das carnes.

A desaceleração das carnes no atacado deve começar a chegar ao varejo entre o fim de maio e o início de junho, previu a economista. O preço leite, apesar de ainda tomar fôlego no atacado, também deve perder força nas próximas semanas, com reflexo no bolso do consumidor.

Apesar disso, Adriana ressaltou que a desaceleração em alimentos no varejo, assim como na instância do produtor, ocorre de forma lenta. "O movimento não está sendo tão rápido quanto esperávamos. Há ainda pressão do lado das proteínas", disse. O IPC, que foi de 0,85% em março para 0,77% em abril, foi puxado basicamente pela queda de 29,31% nas passagens aéreas. Já o grupo Alimentação teve alta de 1,42%, ainda expressiva em comparação a 1,66% de março.

Em relação ao custo da construção, que subiu 0,88% (ante 0,28%), Adriana observou que os reajustes salariais da categoria no Rio de Janeiro e em Salvador pressionaram o índice em abril. Para os próximos meses, a tendência é que a taxa siga pressionada, devido a novos dissídios previstos para maio e junho.

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