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Governo vê 'ajuste' na cotação do dólar

08:00 | 09/04/2014
O governo considera que o mercado está corrigindo o excesso de alta do dólar e trazendo a cotação da moeda para um nível mais confortável para o combate à inflação. O movimento atual de desvalorização da moeda americana em relação ao real é visto pela área econômica como uma "queima de gordura", depois das incertezas em relação à mudança na política monetária dos Estados Unidos e seus impactos sobre países emergentes.

Na terça-feira, 8, o dólar caiu 0,54%, a terceira queda seguida, e fechou cotado a R$ 2,2050. O governo avalia que o mercado está naturalmente fazendo um ajuste. Da mesma forma que o real foi uma das moedas que mais se desvalorizaram, agora ocorre o contrário, seguindo movimento internacional. Segundo fontes do governo, o importante é que a taxa de câmbio fique mais estável.

A sensível melhora do interesse estrangeiro por países emergentes já dura algumas semanas e levou a uma apreciação do real superior a 6% desde o início de março. A moeda saiu de R$ 2,3420, no fim de fevereiro, para um nível próximo de R$ 2,20 nesta semana. Mas o Brasil não está sozinho. Assim como sofreu junto com outros países em desenvolvimento nos dois primeiros meses do ano, agora surfa na onda do capital internacional, liderando seus pares.

Amortecedor

Fontes da área econômica avaliam que o nível atual de câmbio é confortável para o combate da inflação, funcionando como um mecanismo "amortecedor" para a alta dos preços dos alimentos que afeta a economia neste momento. Não há uma política deliberada de valorização do real, mas o efeito colateral é positivo para o combate à inflação.

A transmissão da queda do dólar para a inflação ocorrerá de forma gradual, afirma-se no governo. A avaliação é que o recuo observado no primeiro trimestre no dólar pode ter efeito pleno apenas em 2015 - e desde que mantido o câmbio médio do período por 12 meses. O governo reconhece que a partir deste mês poderá ser registrado algum efeito nos índices de preços, ainda que pequeno.

A reversão na cotação do dólar ocorreu após uma onda de pessimismo nas primeiras semanas do ano, que levou a moeda americana a superar R$ 2,45 no fim de janeiro. Entre o fim de março e o início de abril, os investidores voltaram a buscar o risco fora dos países desenvolvidos. Isso derivou das perspectivas de manutenção dos juros baixos nos EUA - após a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, dizer que a economia americana ainda precisa de apoio - e dos sinais de políticas de estímulo na Europa e na China. Os fundos dedicados a esses mercados, tanto de renda fixa quanto de ações, passaram a receber mais recursos.

"É um fato global, tem a ver com o peso dos EUA e da eventual inversão da política monetária, o que afeta as moedas, as bolsas e os juros", avalia o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. "Yellen disse que a economia ainda precisa de apoio. A partir daí, os juros de lá aguardaram o payroll (estatística do mercado de trabalho) e caíram após dados mais fracos que o esperado", diz, lembrando que, em março, os EUA criaram 192 mil novas vagas de emprego - a projeção era de 200 mil.

O forte fluxo de divisas para o Brasil nas últimas semanas não chegou a surpreender o governo. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em evento do G-20, no fim de fevereiro, na Austrália, disse que o sentimento com o País estava melhorando. "Há nítida mudança positiva em relação ao Brasil nas últimas semanas", disse, à época, Tombini. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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