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CNC reduz previsão de alta das vendas do varejo em 2014

12:10 | 18/03/2014
Ao divulgar nesta terça-feira, 18, o índice que mede a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), que teve queda de 3,3% em março ante fevereiro, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) reviu a projeção de crescimento das vendas no varejo de "em torno" de 5,0% para 5,5% no ano. A revisão, no entanto, deveu-se ao crescimento maior das vendas em janeiro, e não a melhores perspectivas apontadas pela pesquisa.

Pelo contrário, o índice do ICF apresenta quedas na comparação anual (mês com igual mês do ano anterior) desde dezembro de 2012. O "nível de consumo atual", componente do ICF que recuou 1,8% em março ante fevereiro, atingiu 98,3 pontos, o menor nível da série histórica, iniciada em janeiro de 2010.

Segundo Bruno Fernandes, economista da CNC, foi apenas a segunda vez que esse componente registrou pontuação abaixo de 100,00. Acima desse nível, o índice é considerado favorável; abaixo, é desfavorável. "As famílias ainda estão com elevado comprometimento da renda com dívidas. No passado, o crédito era mais barato e alimentava novas dívidas", diz Fernandes.

Embora, o ICF de março aponte para uma aceleração da inflação neste mês, Fernandes vê o encarecimento do crédito, provocado pela alta na taxa básica de juros (Selic, hoje em 10,75%), como fator determinante para a queda na disposição de consumir. "Quando o comprometimento da renda com dívidas já é elevado, o juro mais alto dificulta a tomada de crédito novo para mais compras", explica.

Ainda assim, a perspectiva de aceleração da inflação está colocada no comportamento da intenção de compras das famílias com renda até 10 salários mínimos (recuo de 3,5% ante fevereiro), comparado ao das famílias com renda acima desse nível (queda de 2,4% no mês).

Segundo Fernandes, as famílias mais pobres são mais sensíveis à inflação, enquanto as de renda mais elevada sentem mais o custo do crédito. O economista da CNC considera positiva a projeção de crescimento real das vendas em 5,5%. "Independentemente do cenário, crescimento de 5,5%, diante da atividade econômica, é favorável", diz.

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