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FMI está cada vez mais vulnerável, diz Nogueira Batista

07:20 | 23/02/2014
Alvo de críticas dos países emergentes, os Estados Unidos também foram criticados durante a reunião de ministros de economia e presidentes de banco central das 20 maiores economias do mundo, o G-20, por atrasar a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI). O diretor-executivo do Fundo pelo Brasil e dez outros países, Paulo Nogueira Batista Júnior, disse que sem o avanço das reformas o FMI fica cada vez mais "vulnerável".

"Isso reduz a segurança e a previsibilidade do funding e torna o Fundo mais vulnerável por deixa-lo mais dependente do capital transitório", disse o diretor do FMI. Os EUA são o único país do G-20 que ainda não ratificaram a reforma do Fundo costurada pelas 20 maiores economias do mundo em 2010. A reforma prevê reforço do capital permanente e o maior poder dos países emergentes na casa. Sem a mudança, porém, o capital permanente do FMI diminui com o tempo e assim a instituição passa a ser mais dependente do funding vindo de recursos temporários ou transitórios.

"Se a crise recrudesce e outros países grandes pedem ajuda financeira ao Fundo, pode surgir uma situação em que o Fundo se vê constrangido nas suas funções. É uma situação grave, é um problema sistêmico", disse Nogueira Batista em entrevista após a reunião do G-20 que terminou neste domingo na Austrália. Segundo o diretor brasileiro que participou da reunião em Sydney, "há preocupação e frustração generalizada no G-20 com a demora dos EUA em ratificar a reforma de 2010". "A ideia é que todos completassem essa mudança até outubro de 2012. Estamos em fevereiro de 2014 e já são 17 meses de atraso", disse.

Durante a reunião, o secretário do Tesouro dos EUA, Jacob Lew, sinalizou esforço para tentar aprovar as reformas no Congresso ainda no início deste ano. Enquanto aguardam, países tentam encontrar alternativas para melhorar as condições do FMI. Uma das opções defendidas pelo Brasil é iniciar a nova rodada de negociações para ajustes do Fundo antes mesmo de a reforma de 2010 entrar em vigor. "Não há necessidade legal de a 14ª rodada (de negociações de 2010) estar em vigor para que se comece a debater a 15ª rodada. O Brasil defende que nós comecemos sem mais atrasos", disse o diretor.

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