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Estratégia de desoneração parece confusa, diz Padovani

15:08 | 05/04/2013
O economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani, disse que o governo opera em duas frentes ao ampliar as medidas de desoneração fiscal. Uma, de curto prazo, visa a reduzir o custo de produção e é avaliada pelo economista como correta. A outra tem em vista uma reforma tributária mais ampla, negociada com os Estados. "O governo faz um pouco em cada frente e acho que isso pode gerar uma confusão para entender direito sua estratégia", afirmou. "Mas a minha impressão é de que o governo procura reduzir o custo de produção e encaminha uma agenda de longo prazo", afirmou, em entrevista após palestra promovida pelo Conselho Regional de Economia (Corecon) nesta sexta-feira em São Paulo.

Questionado sobre como avalia a manutenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para veículos e medidas como a desoneração da cesta básica, Padovani declarou que esse contexto carrega duas motivações e um problema. "A primeira motivação é que a economia está fraca e o governo está tentando dar estímulo para que reaja. O segundo ponto é que o governo procura ter uma agenda de redução de carga tributária e de custo de produção. O problema é que essa agenda de curto prazo somada à agenda de longo prazo cria confusão e dificulta a leitura de qual é a estratégia do governo."

O economista disse que essas medidas ajudam no controle da inflação no curto prazo, mas não definem tendência. "Os fatores que determinam a inflação têm um fôlego maior. Não é só com desoneração que você resolve."

Padovani espera que o IPCA (índice oficial de inflação) encerre o ano em 5,5%. "Se a gente somar energia elétrica com cesta básica e outras desonerações nos últimos 12 meses, isso pode ter tirado um ponto porcentual do IPCA nos últimos 12 meses." Ele estima que o IPCA supere 6,5%, teto da meta de inflação, em abril ou maio. "Depois recua porque o preço dos agrícolas estão bem comportados."

Padovani acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai esperar dados da atividade econômica para elevar a taxa básica de juros, a Selic. "Acho que sobe em 125 pontos e encerra o ano em 8,5%. Deve subir no segundo semestre do ano, em julho ou agosto."

O economista prevê um Produto Interno Bruto (PIB) de 1,3% para o primeiro trimestre. "Quando você não sabe muito bem o que fazer, é melhor ficar quieto. Então estou mantendo minha projeção", brincou. "Acredito que agricultura vai ajudar e os investimentos em bens de capital estão indo bem. Isso deve sustentar um PIB acima de 1%." Para o encerramento do ano, projeta um PIB "de 3%, 3,5%".

Perguntado se concorda com a avaliação de alguns economistas de que a inflação hoje se dá pela lado da oferta, e não da demanda, Padovani respondeu que "em parte é de oferta". "Você tem escassez por lado da oferta da mão de obra, por exemplo. Isso a torna cara e pressiona a inflação de serviços, que pressiona a inflação como um todo. Concordo que parte da inflação deriva de um problema estrutural do mercado de trabalho."

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