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Índios e ribeirinhos voltam a ocupar Belo Monte

19:40 | 21/03/2013
Cerca de 100 pessoas, entre ribeirinhos e indígenas das etnias juruna, xipaya, kuruaya e canela, ocuparam o canteiro de obras de Pimental, um do quatro da usina de Belo Monte, na madrugada desta quinta-feira. A Norte Energia, empresa responsável pela construção e operação da Usina Hidrelétrica Belo Monte em Altamira do Pará, no Rio Xingu, confirmou a ocupação. As obras do canteiro de Pimental estão paralisadas. É a oitava paralisação desde o início das obras, em junho de 2011.

O Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) disse que a paralisação ocorre "por questões de segurança". A Força Nacional de Segurança e a Polícia Militar estão na área.

A advogada dos manifestantes, Maira Irigafay, disse que a ação começou com o bloqueio da estrada de acesso ao canteiro, mas um veículo conseguiu passar e acionou a Força Nacional de Segurança, que foi ao local e tentou impedir a entrada dos manifestantes na área da obra, exigindo que fosse escolhido um porta-voz para negociar as reivindicações.

O grupo de manifestantes está dividido entre a comunidade do Jericoá (oito famílias de índios xipaya, kuruaya e canela), que nunca recebeu nenhum atendimento da Funai e da Norte Energia; índios juruna da aldeia Muratu, na Terra Indígena Paquiçamba, e ribeirinhos e colonos da comunidade do km 45.

Colonos da comunidade do km 45 disseram por telefone que vivem "uma situação de grande insegurança", já que o Consórcio Norte Energia teria dito a eles que não serão removidos, "ao mesmo tempo em que afirmaram aos índios juruna que a terra pertence a eles". Eles temem que "a situação crie um conflito entre indígenas e colonos".

Segundo representantes dos manifestantes, muitos operários apoiaram a ação e afirmaram que "o sistema de trabalho se assemelha ao de uma prisão, mas a confusão é grande porque eles não sabem para onde ir".

Entre as reivindicações constam as condições da comunidade de Jericoá, que já não consegue mais pescar, recebeu apenas uma parcela das compensações indígenas (a área onde vivem não tem demarcação), não tem água potável (poços artesianos), e seus barcos não suportam o sistema de transposição montado no barramento do Xingu na altura do Pimental, por serem muito frágeis.

Na última semana, a comunidade procurou a Funai para pedir assistência, mas, segundo os manifestantes, não obtiveram nenhuma resposta.

Os colonos do km 45 que integram as manifestações querem uma definição sobre a situação fundiária de suas terras, além de energia elétrica, que ainda não chegou às suas casas.

Em nota, a Norte Energia, responsável pela construção e operação da Hidrelétrica Belo Monte, informou que seria realizada uma reunião em Altamira com um grupo de lideranças da ocupação. Participarão da reunião, além de dirigentes da empresa, órgãos do governo federal. Já o CCBM informou que outros sítios, Belo Monte e Canais e Diques, não foram afetados.

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