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BC: Corte da Selic afetou custo de captação dos bancos

19:48 | 02/10/2012
Os cortes sucessivos da taxa Selic desde agosto de 2011 provocaram declínio mais acentuado nos custos de captação dos bancos do que na renda das operações de crédito, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira divulgado nesta terça-feira (2) pelo Banco Central. A taxa de captação do sistema caiu de 8,97% nos 12 meses encerrados em dezembro de 2011 para 8,42% nos 12 meses até junho deste ano (queda de 0,54 ponto porcentual). A taxa das operações de crédito caiu de 19,84% para 19,40% na mesma comparação, uma diferença de 0,44 ponto porcentual.

Isso se explica, de acordo com o relatório, porque os empréstimos são, na maioria, prefixados. Ou seja, o banco muitas vezes ganha com o juro alto de uma operação feita há cinco anos, por exemplo. Já o dinheiro captado reflete mais rapidamente as taxas de mercado, segundo o BC. "Devido à maior participação de operações pós-fixadas no passivo das instituições financeiras, o movimento do custo de captação sofre forte interferência de variações da Selic", diz o relatório.

"As operações de crédito, por outro lado, são predominantemente prefixadas e possuem prazo médio superior a 50 meses, de sorte que as reduções nas taxas de juros ocorridas na margem têm impacto reduzido sobre as rendas". Com isso, a diferença entre as taxas de operação de crédito e de captação permaneceu praticamente estável nos últimos 12 meses, passando de 10,9% para 11% na média do sistema bancário.

Nos bancos privados, essa diferença aumentou, pois estes reduziram seu custo de captação em porcentual superior à queda na renda de suas operações de crédito. Segundo o BC, a diferença entre as taxas de operações de crédito e de captação em 12 meses subiu de 12,3% para 12,7% nessas instituições. O efeito dessa elevação sobre o resultado desses bancos, no entanto, foi encoberto pela redução no ritmo de concessões e pelo aumento de despesas de provisão, segundo o BC.

Nos bancos públicos, por outro lado, a diferença caiu de 8,4% para 8,1%. O efeito dessa redução, segundo o BC, foi amenizado pelo aumento de sua participação no volume de crédito concedido.

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