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Sinais mostram indústria em transição, avalia CNI

13:10 | 05/09/2012
Os sinais contraditórios apresentados pela indústria no mês de julho foram lidos pelo gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, como uma fase de transição. "O quadro segue mais ou menos o mesmo sem grande mudança. Temos um quadro de transição, quando os sinais não são todos na mesma direção. Talvez seja uma sinalização de reversão, mas não toda aquela que já se espera há algum tempo", comentou.

Segundo Castelo Branco, após um primeiro semestre "pífio" para o setor, a segunda metade do ano traz expectativa de recuperação. "Os sinais são ambíguos", acrescentou. Ele destacou que a queda do faturamento real, de 2,4% em julho sobre junho (dado dessazonalizado), praticamente anulou a expansão observada de maio para junho. Na comparação com julho do ano passado, a alta foi de 5,5% e, no acumulado dos sete primeiros meses de 2012, a elevação é de 3,4%.

O gerente-executivo salientou que o recorde de venda de automóveis em agosto, divulgado pela Anfavea, deve ter impacto nos indicadores da CNI de agosto, que serão conhecidos no fim de setembro. "É possível que os estoques tenham sido reduzidos", considerou. Ele lembrou que o impulso das vendas em agosto está relacionado à expectativa do fim de desoneração de impostos sobre automóveis. O governo estendeu, posteriormente, o benefício para o fim de outubro.

Além da atuação do governo no setor de veículos, Castelo Branco destacou outras medidas tomadas recentemente, como o aumento do imposto de importação para 100 produtos anunciado na terça-feira (4) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Isso vai alterar a capacidade de competição com produtos estrangeiros", comemorou.

O gerente-executivo destacou ainda que a equação macroeconômica brasileira mudou nos últimos meses, com destaque para câmbio e juros. Para ele, os dados de comércio exterior, que tendem a ter defasagem, devem reagir nos próximos meses. "A própria taxa de juros continua em trajetória de queda há um ano", pontuou.

Esse conjunto de notícias positivas deve ter efeito sobre a produção manufatureira, conforme Castelo Branco. "Mas esse ciclo precisa de um tempo para maturar, não é de um dia para outro. Na economia real, o timing de mudança é mais demorado do que nos mercados financeiros, que se alteram só com expectativa", comparou.

Apesar de traçar um prognóstico positivo para o setor nos próximos meses, o economista ressaltou que o quadro global continua sendo fator desfavorável para a atividade manufatureira. "Mesmo assim, a expectativa é de que o segundo semestre seja melhor que o primeiro", reforçou.

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