Itaú quer driblar parcelado sem juro
O Itaú Unibanco foi buscar inspiração no modelo americano de cartão de crédito na tentativa de endereçar dois problemas: a pressão do governo por menores juros bancários e a disseminação do parcelamento das compras sem juros no cartão, que já respondem por mais da metade do volume de gastos com cartões. Mas isso não quer dizer que o banco será seguido pelo restante da indústria, segundo o Valor apurou.
Ontem, o Itaú lançou um novo modelo de cartão de crédito, replicando os plásticos usados pelos bancos nos Estados Unidos. No Brasil, quem não quita a fatura no dia do vencimento começa a pagar juros apenas no dia seguinte. Entre os americanos, o usuário que não honrar as contas vai ver os juros retroagirem até o dia da compra do produto. No Brasil, o banco acaba embutindo esses "até 40 dias sem juros", que podem correr entre a compra e o vencimento da fatura, na taxa cobrada, o que encarece a operação do rotativo. As taxas dos cartões estão entre os maiores de financiamento à pessoa física, junto com os do cheque especial.
Em troca do fim desses dias sem juros, o novo cartão do Itaú, batizado de Itaucard 2.0, vai cobrar juros de 5,99% ao mês, o que representa pelos cálculos do banco uma redução de 50% em cima da taxa média cobrada pela indústria atualmente. Nominalmente, a taxa é menor, mas a questão é saber se ela é compensadora para qualquer cliente.
Outro ponto que o banco quer atacar é o parcelamento sem juros no cartão de crédito, algo perverso para a margem do setor financeiro. O produto é oferecido pelos lojistas, mas quem arca com o risco de crédito caso o cliente não pague a fatura são os bancos, algo que as instituições também embutem nas taxas cobradas. No novo cartão do Itaú, quem não quitar a fatura em dia vai passar a pagar juros retroativos ao dia da compra também sobre as parcelas que ainda não venceram. Hoje, esse consumidor só arca com os encargos do crédito rotativo em cima de cada parcela não paga. Se atrasa uma fatura, as demais parcelas não são consideradas em atraso.
Segundo o vice-presidente de cartões de crédito e varejo da instituição, Márcio Schettini, o parcelamento sem juros representa hoje de 55% a 60% do faturamento total da indústria de cartões, volume estimado em R$ 805,4 bilhões para 2012. Típico do mercado brasileiro, o parcelado sem juros foi criado para substituir o cheque pré-datado e é um dos fatores que impede os bancos de derrubar as taxas cobradas na ponta. O banco não financia a operação, porque só repassa os recursos aos lojistas conforme os clientes pagam as parcelas, mas assume o risco de crédito.
Com o novo cartão, o Itaú calcula uma renúncia de margem da ordem de 50%, num primeiro momento. Hoje, o banco extrai do segmento um retorno sobre o ativo de 2,5% a 3%. Com o tempo, porém, a ideia é recompor a rentabilidade da área com acréscimos de volume. A intenção é que essa perda, no total, chegue a 30%. Vale lembrar que, com o parcelado sem juros, os bancos têm condições de ganhar em outra frente, na do lojista, com operações de antecipação de recebíveis.
O modelo aplicado pelo Itaú também acaba com o prazo de até 40 dias de crédito sem juros para as novas compras dos consumidores que já estão no rotativo. Ou seja, quem já começou a pagar juros por uma compra não paga, vai ver a taxa recair também em cima de novas compras feitas. "No fim, efetivamente, a taxa de juros cobrada não é de 5,99% porque o consumidor perde o benefício dos 40 dias sem cobrança, que hoje vale mesmo para quem já está no rotativo", diz o executivo de um banco concorrente.
Para outro executivo de uma empresa concorrente, o restante do mercado deve ficar na plateia, esperando o resultado da ação do Itaú. "O Itaú passa a ser uma espécie de cobaia do mercado. Se não funcionar, ninguém vai copiar." As informações são do site Valor Econômico.
Ontem, o Itaú lançou um novo modelo de cartão de crédito, replicando os plásticos usados pelos bancos nos Estados Unidos. No Brasil, quem não quita a fatura no dia do vencimento começa a pagar juros apenas no dia seguinte. Entre os americanos, o usuário que não honrar as contas vai ver os juros retroagirem até o dia da compra do produto. No Brasil, o banco acaba embutindo esses "até 40 dias sem juros", que podem correr entre a compra e o vencimento da fatura, na taxa cobrada, o que encarece a operação do rotativo. As taxas dos cartões estão entre os maiores de financiamento à pessoa física, junto com os do cheque especial.
Em troca do fim desses dias sem juros, o novo cartão do Itaú, batizado de Itaucard 2.0, vai cobrar juros de 5,99% ao mês, o que representa pelos cálculos do banco uma redução de 50% em cima da taxa média cobrada pela indústria atualmente. Nominalmente, a taxa é menor, mas a questão é saber se ela é compensadora para qualquer cliente.
Outro ponto que o banco quer atacar é o parcelamento sem juros no cartão de crédito, algo perverso para a margem do setor financeiro. O produto é oferecido pelos lojistas, mas quem arca com o risco de crédito caso o cliente não pague a fatura são os bancos, algo que as instituições também embutem nas taxas cobradas. No novo cartão do Itaú, quem não quitar a fatura em dia vai passar a pagar juros retroativos ao dia da compra também sobre as parcelas que ainda não venceram. Hoje, esse consumidor só arca com os encargos do crédito rotativo em cima de cada parcela não paga. Se atrasa uma fatura, as demais parcelas não são consideradas em atraso.
Segundo o vice-presidente de cartões de crédito e varejo da instituição, Márcio Schettini, o parcelamento sem juros representa hoje de 55% a 60% do faturamento total da indústria de cartões, volume estimado em R$ 805,4 bilhões para 2012. Típico do mercado brasileiro, o parcelado sem juros foi criado para substituir o cheque pré-datado e é um dos fatores que impede os bancos de derrubar as taxas cobradas na ponta. O banco não financia a operação, porque só repassa os recursos aos lojistas conforme os clientes pagam as parcelas, mas assume o risco de crédito.
Com o novo cartão, o Itaú calcula uma renúncia de margem da ordem de 50%, num primeiro momento. Hoje, o banco extrai do segmento um retorno sobre o ativo de 2,5% a 3%. Com o tempo, porém, a ideia é recompor a rentabilidade da área com acréscimos de volume. A intenção é que essa perda, no total, chegue a 30%. Vale lembrar que, com o parcelado sem juros, os bancos têm condições de ganhar em outra frente, na do lojista, com operações de antecipação de recebíveis.
O modelo aplicado pelo Itaú também acaba com o prazo de até 40 dias de crédito sem juros para as novas compras dos consumidores que já estão no rotativo. Ou seja, quem já começou a pagar juros por uma compra não paga, vai ver a taxa recair também em cima de novas compras feitas. "No fim, efetivamente, a taxa de juros cobrada não é de 5,99% porque o consumidor perde o benefício dos 40 dias sem cobrança, que hoje vale mesmo para quem já está no rotativo", diz o executivo de um banco concorrente.
Para outro executivo de uma empresa concorrente, o restante do mercado deve ficar na plateia, esperando o resultado da ação do Itaú. "O Itaú passa a ser uma espécie de cobaia do mercado. Se não funcionar, ninguém vai copiar." As informações são do site Valor Econômico.
Redação O POVO Online