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Curiosidades
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Gatos têm apego aos donos na mesma proporção que crianças e cães, dizem cientistas

Para quem diz que gato é insensível, pesquisa analisou indicadores de relação de apego dos felinos aos humanos, incluindo busca por proximidade e angústia de separação

17:23 | 28/09/2019
Para quem diz que gato é insensível, pesquisa analisou indicadores de relação de apego dos felinos aos humanos, incluindo busca por proximidade e angústia de separação
Para quem diz que gato é insensível, pesquisa analisou indicadores de relação de apego dos felinos aos humanos, incluindo busca por proximidade e angústia de separação (Foto: AFP )

Você é “mãe” ou “pai” de gato? Não, não se trata de um filho muito bonito, mas dos gatos mesmo. Se sim, saiba que aquelas acusações de que eles não te amam são puro preconceito, sem base científica. Segundo pesquisadores da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, os gatos são tão apegados aos donos quanto os cachorros.

A pesquisa, realizada por Alexandra Behnke, Kristyn Vitale e Monique Udell, foi publicada na revista Current Biology. Nela, os teóricos apresentam um Teste de Base Segura (SBT, sigla em inglês) em que avaliam indicadores de relação de apego entre gatos e humanos, incluindo busca por proximidade, angústia de separação e comportamento de reunião.

“Em todo o mundo, o número de gatos domésticos superam o dos cães. Apesar do sucesso dos gatos nos ambientes humanos, a cognição social dos cães recebeu consideravelmente atenção científica nas últimas décadas”, indicam.

“Apesar de menos estudos, pesquisas sugerem que podemos estar subestimando as habilidades sócio-cognitivas dos gatos. Aqui relatamos evidências, usando critérios comportamentais estabelecidos na literatura infantil humana de que os gatos exibem estilos distintos de apego aos cuidadores humanos”, explicam os teóricos.

Diante disso, os pesquisadores realizaram estudo focado nos donos e nos próprios gatos, aplicando testes geralmente utilizados em bebês e em cães. O experimento foi dividido em três partes: na primeira, o gato passou dois minutos em uma sala desconhecida junto com seu cuidador; na segunda, o felino ficou dois minutos sozinho nessa mesma sala; na terceira, o dono retornou para mais dois minutos com o animal.

“Após o retorno do cuidador de uma breve ausência, os indivíduos com apego seguro exibem uma resposta reduzida ao estresse e um equilíbrio de exploração e contato com o cuidador (o Efeito Base Seguro), enquanto os indivíduos com apego inseguro permanecem estressados e se envolvem em comportamentos como proximidade excessiva, busca, comportamento de esquiva ou conflito de abordagem”, relatam.

Nas duas primeiras fases do teste, a maioria dos gatos apresentou reações parecidas, ficando com seus donos, demonstrando estranheza ou curiosidade sobre o local no período em que ficaram sozinhos. Já a terceira etapa apresentou reações diferentes. Vários gatos “cumprimentaram” seus donos e voltaram a explorar o ambiente de forma mais tranquila do que antes.

Os mais inseguros deixaram de explorar e ficaram juntos aos donos, enquanto outros evitaram o dono quando este retornou. Dois terços dos gatos estava no primeiro grupo, o que demonstrou menos estresse com a presença do criador. Essa é a mesma proporção apresentada por crianças e cachorros.

“Os dados atuais apoiam a hipótese de que os gatos mostram uma capacidade semelhante para a formação de ligações seguras e inseguras com cuidadores humanos, demonstradas anteriormente em crianças e cães, com a maioria dos indivíduos nessas populações firmemente apegados ao cuidador”, concluem os cientistas.