PUBLICIDADE
Notícias

Um cenário de (poucas) certezas e (muitas) incertezas

Confira a coluna Meio Político, escrita semanalmente pelo jornalista Guálter George

19:20 | 18/07/2018

Sinceramente, não sei como o pessoal das articulações vai desatar o nó que se formou em torno dos esforços para fechar a aliança eleitoral que terá a candidatura à reeleição do governador Camilo Santana, do PR. Quanto à cabeça da chapa majoritária, com suas quatro posições a ocupar, a situação do petista parece consolidada, no único ponto de convergência que se consegue vislumbrar. De resto, é só dúvida, desconfiança e incerteza.

Por exemplo, em relação à vice, pode-se dizer que o governador gostaria de continuar tendo a companhia de Isolda Cela, filiada ao PDT. Gostaria, mas não consegue assegurar, limitando-se a manifestar uma opinião favorável à manutenção de indicação de um nome pedetista para a vaga. Até outro dia, o que na política muitas vezes representa uma eternidade, um peso-pesado do partido, o deputado e atual presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, parecia de olho na posição, embora suas falas mais recentes indiquem uma intenção de permanecer onde está. Reeleito, claro. 

Confusão mesmo, no entanto, é a que envolve o preenchimento das duas vagas para a disputa pelo Senado. O grande problema nesse caso diz respeito à iniciativa de Camilo de trazer para as conversas, reinserindo-o na aliança, o senador Eunício Oliveira, do MDB e que planeja tentar reeleição. Vem a ser o candidato que o petista derrotou em 2014 por margem apertada de votos, após campanha marcada pela troca de acusações. Ele esqueceu, parte de seus aliados parece que não.

No correr natural das águas, a outra vaga da campanha ao Senado na chapa situacionista seria ocupada pelo ex-governador Cid Gomes. Neste ponto a coisa volta a encrencar, já que isso representaria dar ao PDT duas posições na chapa majoritária e a configuração de um quadro que Camilo nega ao PT, sob alegativa de que não faz sentido tanto espaço para um só partido. O argumento teria que ser ajustado, então, para permitir a aplicação de pesos e medidas diferentes para situações de aparência semelhante entre si.

Camilo age cuidadosamente, esforça-se muito para nada fazer ou dizer que depois lhe possa causar problemas a serem administrados. Um estilo que tem consolidado nos momentos mais recentes de alta tensão, reforçando-se que o resgate de Eunício Oliveira para a aliança governista foi uma surpreendente iniciativa sua, sob resistência dos irmãos Ferreira Gomes desde o primeiro momento. A intenção de trazer o ex-aliado de volta segue firme, mas a cada dia sob dificuldades aparentes maiores.
  
Claro que a situação cria o ambiente propício à propagação dos boatos e especulações. Por exemplo, há algum tempo se tenta emplacar uma notícia de que Cid Gomes poderá ser candidato ao governo estadual, abrindo uma nova frente de disputa contra a permanência de Camilo Santana. Impossível não é, mas, admitamos, continua sendo muito pouco provável que um fato novo de tal proporção se instale no cenário, já pleno de incertezas e indefinições.
 
 
TAGS