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Faltou política na briga dos deputados

Confira a coluna semanal do jornalista Guálter George

22:40 | 16/05/2018
A classe política anda em baixa no Brasil, merecidamente. A sucessão quase infinita de escândalos e o fato de poucos agrupamentos partidários passarem ao largo, tirando deles qualquer sentido ideológico, determina o mau humor generalizado da população com quem hoje ocupa cargos públicos e que lá chegou graças ao voto popular. Há um arrependimento tardio reafirmado em cada pesquisa eleitoral realizada e publicada nos últimos anos.

Tudo bem, este é o quadro geral e que geralmente torna difícil apontar o dedo em alguma direção específica para indicar responsabilidades. Há, porém, também aquela situação na qual os maus exemplos pontuais e determinados ampliam ainda mais o sentimento de decepção do eleitor com as escolhas que faz na hora sagrada do voto. Aqui começo a falar do triste episódio de bate-boca entre os deputados Capitão Wagner (Pros) e Evandro Leitão, que aconteceu na sessão da Assembleia Legislativa da última terça-feira.

Não pela discussão, em si, porque está no espírito de uma Casa política, necessariamente marcada pela coexistência de visões diferentes, que as divergências aflorem. Muitas vezes, até, de maneira exagerada. É o que naturalmente poderia ter acontecido naquele momento, em que um deputado governista e outro oposicionista, cada um deles líder do lado em que se encontra, dividiam os microfones do parlamento na defesa de suas teses. Uma absolutamente divergente da outra.

O problema está nos termos e no tom. Dá para brigar dentro de um ambiente parlamentar, fazer uma troca dura de argumentos, sem ofensas pessoais e sem chegar ao limite de um chamamento ao duelo físico. Aliás, o melhor exemplo que um homem público pode oferecer nesse momento a uma sociedade que vive se digladiando pelas ruas e pelas redes (sociais), devido a meras discordâncias políticas, partidárias ou ideológicas, é o da convivência entre contrários, cada um com seu pensamento, mas um respeitando o outro no seu direito de discordância. Algo sagrado à democracia.

Preocupa ainda mais por ser apenas um indicativo do que poderemos ter como marca do processo eleitoral de 2018. Tudo indica que serão dias de campanha nas ruas muito intensos, e tensos, considerando-se o ambiente já polarizado e dividido. Uma postura inconveniente de alguém de peso referencial, como é o caso dos dois personagens envolvidos no episódio, arrisca levar o processo a uma degradação de consequências graves, porque já encontrará nervos à flor da pele.

É esperar que a triste situação sirva de exemplo, poupando-nos de novas ocorrências semelhantes. Os envolvidos são adultos, crescidos e já acumulam um tempo de vida pública suficiente para entenderem que os limites de uma disputa civilizada estão ultrapassados quando chega-se a considerar o caminho das vias de fato como instrumento para definir com quem está a razão. Este é o limite exato em que acaba a política.
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