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O PSDB vai encarar a crise e precisa vencê-la

Confira coluna semanal do jornalista Guálter George

19:38 | 07/03/2018

A gente tem dado pouca atenção, mas o ambiente interno no PSDB anda pegando fogo. E não é de hoje, o que torna ainda menos compreensível o pouco foco da imprensa na situação que, afinal, atinge um dos maiores partidos do País, dono de bancadas expressivas no Congresso e que governa alguns dos principais estados brasileiros. A começar por São Paulo, o mais rico deles.

É lembrar a confusão que marcou no final do ano passado a repentina retirada do senador Tasso Jereissati da presidência nacional tucana, para onde ele fora mandado interinamente com a missão de ajeitar a situação interna, insustentável com a crise que atingira, em meados do ano passado, o também senador Aécio Neves, à época o principal líder do PSDB no País. Pois bem, o político mineiro, o candidato à presidência da República quase eleito em 2014, de repente foi lançado ao centro da crise ética nacional com direito a flagrantes de constrangedoras conversas ao telefone nas quais exigia dinheiro de gente investigada em operações policiais para pagar seu advogado.

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Tasso parecia estar levando a sério a ideia de promover uma limpeza interna profunda, preparando o PSDB para o desafio eleitoral de 2018, ao ponto de gerar incômodos e de ter o afastamento repentino do comando nacional determinado a partir de uma articulação que tinha á frente o próprio Aécio. Um dos "pecados" do senador cearense foi aliar-se aos jovens tucanos, os "cabeças-pretas", na adoção de uma postura de intolerância com qualquer ação fora do recomendado pela boa prática política. Na linha do "doa a quem doer".

O episódio envolvendo Tasso expôs uma parte boa da hipocrisia que cercava o movimento de alguns no PSDB desde a eclosão da crise da Lava Jato. No meio disso, havia também a forte disputa por espaço entre os tucanos paulistas, berço e base principal do partido, especialmente com a entrada em cena de um ator novo e ambicioso: o prefeito Dória Junior, responsável por uma crise recente que levou à desfiliação de Mário Covas Neto, como denuncia o nome, filho de Mário Covas, um dos fundadores e até hoje referencial ético importante dentro do PSDB.

Dória sonhou em disputar a presidência da República e, quando ainda achava isso possível, armou um plano cujo objetivo pouco escondido era atropelar o governador Geraldo Alckmin, seu correligionário e nome considerado natural como candidato ao Palácio do Planalto neste 2018. Se o jovem prefeito queria atropelar, acabou atropelado, obrigando-se a recolher armas e refazer estratégia, agora lançando foco sobre o Palácio dos Bandeirantes, de onde Alckmin (seu atropelador) despacha atualmente.

De novo, porém, o estilo pouco sutil do atual prefeito paulistano fez vítimas pelo caminho, além do Mário Covas Neto que fugiu da confusão e foi atrás de outro abrigo partidário. A lista de desafetos de Dória Júnior inclui tucanos históricos de peso, como Alberto Goldman e José Anibal. Este último, recentemente derrotado em prévia para escolher o candidato ao governo pelo partido na eleição que se aproxima, foi pouco econômico nas críticas ao correligionário: "politiqueiro" e "carreirista" foram alguns dos ataques na forma de adjetivo a ele dirigidos.

O certo é que o PSDB vai desunido para a campanha eleitoral de 2018 como poucas vezes se apresentou ao longo de sua história de 30 anos. O desafio que o espera nos próximos meses, portanto, é o de conseguir provar que sabe encarar crises e que também é capaz de transformar um momento difícil em oportunidade de se reinventar e crescer. Para um partido com o perfil de pouca vida orgânica, não deixa de ser estimulante encontrar meios de demonstrar que há vida além dos conchavos e acertos de cúpula.

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