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O conceito de "novo" e os limites de Huck

20:04 | 08/02/2018
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É uma espécie de fetiche do atual momento da política brasileira a busca "pelo novo". Há uma expectativa de que o eleitor vai às urnas disposto a negar tudo que represente continuação, o que até parece natural diante do momento de tragédia na representação que se deriva das escolhas feitas pela população através do voto. Este senso comum aponta para dificuldades dos que sejam detentores de mandatos e participem da disputa de 2018 querendo renová-los ou mesmo os que, já tendo sido algo na vida pública antes, busquem uma retomada de seus espaços no campo institucional.

[SAIBAMAIS]

O erro que se pode cometer é conceituar o novo de maneira equivocada e simplória. O nome mais insistentemente apresentado como potencial beneficiário da situação que se desenha para o cenário eleitoral é o popular apresentador global Luciano Huck. É, de fato, uma novidade? Haverá pouca dúvida de que se trate de uma opção de fora do esquema partidário, sem relação aparente com o quadro de degeneração da política que hoje prevalece, mas, reforçarei a pergunta: é, de fato, uma novidade?

Luciano Huck nunca foi um ausente absoluto do debate político, mesmo de fora do quadro partidário. Guarda boas relações com nomes expressivos do cenário posto, alguns deles personagens de destaque no quadro que nos trouxe à triste realidade de agora, em que as pessoas estão sendo levadas a perder a fé nos seus representantes e até na democracia. O mais notório deles é o senador mineiro Aécio Neves, do PSDB,que um dos braços de investigação da Lava Jato descobriu atuando nos bastidores em deploráveis demonstrações de terrível descaso com a ética e a boa prática política.

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É lembrar a cena que correu as redes sociais, depois de encerrado o processo eleitoral que levou à vitória da chapa Dilma Roussef-Michel Temer, em 2014, na qual o Huck em questão aparece na sala do apartamento onde o então candidato tucano, Aécio Neves, juntou amigos em Belo Horizonte para acompanhar a apuração e consequente anúncio final do resultado pelo TSE. Ter um amigo político não faz de alguém, necessariamente, responsável por suas ações e erros, mas determina algum tipo de efeito quando se pretende executar um movimento igual a este que o apresentador sinaliza que fará.

A ideia de que Luciano Huck pode representar a "novidade" que o eleitor brasileiro buscará no sucessor de Michel Temer como presidente da República pode encontrar dificuldades no seu histórico de aproximação, amizade e alinhamento com segmentos que hoje situam-se no centro da crise e que um dia, lá atrás, ele ajudou a bancar oferecendo a sua credibilidade. É um histórico que será levado à campanha, se ele for candidato, com potencial para arranhar o esforço que já cerca sua estratégia de se apresentar como alguém absolutamente alheio a tudo que está ai e às pessoas que ai estão.

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