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A condenação confirmada e a resposta do PT

17:13 | 24/01/2018

A histórica data de hoje precisa ser olhada, e discutida, na perspectiva de sua importância para o amanhã. Seja o amanhã que simboliza o futuro de maneira mais aberta no tempo, seja o amanhã do calendário, que coloca uma quinta-feira depois de uma quarta, o 25 de janeiro na sequência do dia 24. Nos dois casos, o horizonte político brasileiro se apresenta confuso, indecifrável e, principalmente, desafiador. Claro que é uma análise que tem como ponto de partida a negativa contundente e unânime do Tribunal Regional Federal, de Porto Alegre, ao recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra sentença aplicada pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.



O PT, de Lula, deslancha este "calendário" pós-julgamento com sua decisão de, já nesta quinta, algumas horas depois de judicialmente selado o destino do seu principal nome, lançá-lo pré-candidato à Presidência da República em 2018. Dando de ombros para a expectativa geral, oficialmente confirmada, de que ele teria a condenação mantida por 3 votos a 0 e que dificilmente encontrará meios de se viabilizar para a próxima disputa, considerando que o calendário (ei-lo, de novo) eleitoral espreme o tempo à disposição para os artifícios legais de resistência ao início de aplicação da condenação. A dúvida que fica: é afronta ou estratégia?



Claro que o sentimento inicial é o de que seja uma forma de o PT desdenhar da sentença de hoje da justiça, que já se registra numa instância colegiada que pode encaminhar Lula, inclusive, à prisão. Porém, não se deve descartar a existência de fundamentos mais profundos e indicadores de um sentido de "inteligência política" no movimento, na perspectiva em que serve para manter viva e animada a militância que nos últimos dias e meses saiu às ruas para defender o líder petista das acusações que correm contra ele no âmbito judicial. Havia necessidade de criar um fato novo para aproveitar o estado de ânimo que as circunstâncias desfavoráveis acabaram criando, o que pode ter feito nascer a decisão de precipitar o ato de oficialização de uma candidatura que, sabe-se, terá muita dificuldade de ser levada até o seu final.



Um outro componente motivador do gesto desafiador de manter o ato de amanhã em São Paulo é, claro, a força eleitoral que Lula continua a demonstrar nas pesquisas de intenção de voto para 2018, mesmo cercado por investigações, processos e denúncias. Permanecendo com ele no jogo, até o limite em que as circunstâncias legais permitirem, o PT amplia seu cacique para, mais adiante, uma substituição de candidatura, oriunda dos seus próprios quadros ou de um aliado de confiança, com chances maiores de vencer a próxima disputa pelo Palácio do Planalto que, a exemplo do que já aconteceu em 2014, tende a ser marcada pelo acirramento e a tensão. Infelizmente.

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